• segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
  • 03:51 Icone do tempo--ºC / --ºC

Artigos

6/10/2017 às 01h11

Não seja cúmplice da falsificação

Uma das grandes chateações da vida ocorre quando você se dá conta de que, em determinado momento, alguém lhe passou uma nota falsa. A perda total, em situações assim, é inevitável. Não há como voltar àquele que a entregou em suas mãos, a título de pagamento ou troco, e estornar o prejuízo. Nem há meio de comprovar que você a recebeu de Fulano e não de Beltrano ou Sicrano.

Escapar passando à frente a falsificação é uma insanidade. Se aquele que recebe a nota falsa suspeitar que algo está errado, você, além de ficar sem aquele valor, será levado à polícia e terá a dura tarefa de convencer a autoridade que não imaginava que a cédula era falsa. Ficará sem o dinheiro, perderá horas preciosas do dia e, no final de tudo, dar-se-á por satisfeito se os danos ficarem por aí.

Há grande semelhança entre o dinheiro falso e a crítica injusta que alguém possa haver feito, pelas costas, à sua pessoa. Se cavoucar fundo, pode descobrir que o autor inicial da maledicência foi um conhecido, um empregado ou alguém de sua família. Como escreveu Montaigne, poucos homens são admirados pelos seus criados.

Se a fofoca estiver rolando há algum tempo, conforme-se. Investir contra ela, na tentativa de aniquilá-la, é reeditar o alucinado gesto de Dom Quixote, atacando um moinho de vento de lança em riste, sujeitando-se a ser apanhado e atirado ao ar por uma de suas pás.

Descarte o revide. Enfrentar quem fala mal de você falando mal dele, não apaga o incêndio, antes tende a ampliá-lo, torná-lo incontrolável e expô-lo a extensas e dolorosas queimaduras. Melhor deixar que as chamas se extingam por si mesmas.

*Jornalista

 

Comentários