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24/1/2014 às 15h28

Crítica: Corajoso e bem escrito, 'O Lobo...' deveria ganhar tudo no Oscar

Martin Scorsese sempre gostou de personagens solitários em conflito com o sistema ou com seus demônios pessoais. Seja o motorista de "Taxi Driver", o boxeador em "Touro Indomável", Howard Hughes em "O Aviador" ou o policial vivido por Leonardo DiCaprio em "Os Infiltrados", o típico protagonista de Scorsese batalha sozinho contra um mundo hostil.

Em "O Lobo de Wall Street", o cineasta cria mais um desses Quixotes modernos: Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor de Wall Street que fica milionário nos anos 80 com práticas antiéticas e ilegais e desafia a polícia, a Bolsa e o FBI.

Belfort poderia muito bem ser um popstar: cheira montanhas de cocaína, bebe rios de uísque e vive cercado de prostitutas caríssimas. A analogia não é absurda: nos anos 80, magnatas de Wall Street eram verdadeiros popstars.

  Divulgação  
Leonardo DiCaprio como Jordan Belfort em cena de 'O Lobo de Wall Street
Leonardo DiCaprio como Jordan Belfort em cena de 'O Lobo de Wall Street'

Belfort tem um iate que mais parece um navio, arremessa lagostas em agentes do FBI e joga dinheiro ao vento. Parece gostar mais de poder que de dinheiro.

Para um personagem de excessos, Scorsese fez um filme de excessos: "O Lobo" é longo, barulhento, acelerado e tem um humor negro e ácido. É o filme mais engraçado da carreira do cineasta.

Belfort e seu parceiro, Donnie Azoff (o sensacional Jonah Hill) parecem uma versão alucinada do Gordo e o Magro. Há uma cena de overdose de sedativos que já entrou para a antologia de psicopatas fora de controle, junto com Tony Montana enfiando a cara na montanha de pó ou o Frank Booth cheirando gás em "Veludo Azul".

"O Lobo de Wall Street" merecia ganhar tudo no Oscar. É um filme corajoso, absurdamente bem escrito (por Terence Winter, roteirista de "Os Sopranos" e "Boardwalk Empire") e sem medo de pecar pelo excesso. Um grande momento de Scorsese e o maior de Leonardo DiCaprio.

ANDRÉ BARCINSKI é jornalista e diretor do programa "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", no Canal Brasil

O LOBO DE WALL STREET

DIREÇÃO Martin Scorsese

PRODUÇÃO EUA, 2013

ONDE Kinoplex Vila Olímpia, Pátio Paulista Cinemark e circuito

CLASSIFICAÇÃO 18 anos

AVALIAÇÃO ótimo

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