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Cotidiano

14/3/2017 às 15h52

PF prende integrantes de grupo que atuava no tráfico interestadual de drogas

Em seis meses de investigação, a quadrilha interestadual de tráfico de drogas alvo da Operação Estufa , da Polícia Federal (PF) em Pernambuco, conseguiu acumular um patrimônio considerado grande pela corporação a fim de camuflar a atividade ilegal. Nesse período, os investigados compraram um posto de gasolina, uma concessionária de veículos, um clube de futebol society, um lava-jato e uma mansão com piscina que era usada inclusive para armazenar drogas. As informações foram divulgadas em entrevista coletiva hoje (14) de manhã. 

Foram apreendidos 150 quilos de maconha, 20 quilos de pasta base de cocaína e 500 gramas de crack, além de sete armas de fogo, dois carros (um Volkswagen Jetta e um Chevrolet S-10), duas carretas de transporte de combustível e R$ 8,5 mil em dinheiro. A Polícia Federal expediu 15 mandados de prisão preventiva, cinco de condução coercitiva e 21 de busca e apreensão. Até a publicação desta reportagem 12 dos 15 acusados tinham sido detidos. Dois dos mandados tinham como alvo suspeitos na Paraíba, um em João Pessoa e outro no município de Conde. Participaram hoje da operação 120 policiais federais de Pernambuco, da Paraíba e de Alagoas. A quadrilha atuava nos estados da Bahia, do Rio Grande do Norte e da Paraíba e de Pernambuco.

De acordo com o superintendente da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro, enquanto os estabelecimentos eram usados para lavar o dinheiro do tráfico, imóveis e veículos de luxo serviam também para negociar o pagamento de droga. “Eles tinham estrutura bem organizada, uma hierarquia, um aspecto familiar que até propiciava mais confiança entre eles no grupo e também uma estrutura de imóveis, veículos e dinheiro que possiblitava adquirir mais ou vender a maconha, a cocaína que recebiam de forma mais ágil. Tinha um formato de empresa mesmo”, disse Cordeiro.

Durante as investigações, a delegada Adriana Vasconcelos relatou que eles puderam acompanhar a negociação de um flat na Praia de Boa Viagem, bairro com muitos prédios de alto padrão no Recife, que envolvia a troca por caminhão e um veículo menor, tudo para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Outra característica é o uso e a armazenagem de dinheiro pela quadrilha.

"Boa parte dos valores em dinheiro movimentado com o tráfico não é bancarizado [guardado em bancos]. Fica complicado determinar valores. Numa das situações de flagrante, houve apreensão de R$ 30 mil em espécie que estavam em um ponto de distribuição de drogas, quando a gente sabe que estes pontos não mantêm por muito tempo o dinheiro", afirmou Adriana.

Segundo o superintendente Marcello Diniz, o negócio era feito em família. “Até para ter vínculo maior de confiança, tem esposa com marido, filho, parentes e irmãos. Amigos e também laranjas para dissimular o patrimônio adquirido." A quadrilha também demonstrava ser violenta. “Durante a investigação foi detectado que determinados elementos buscavam matar eventuais concorrentes ou aqueles que não estavam saldando a dívida. Ainda está sendo averiguado, mas tudo indica que foram só tentativas. A pessoa ficou ferida mas não chegou a morrer.”

Tráfico atacadista

A organização investigada atuava como “atacadista” no mercado de drogas, segundo a PF. O grupo comprava em grande quantidade diretamente dos produtores ou de atravessadores que colocavam as substâncias no Brasil. Depois, transportavam as drogas no meio de cargas regulares de caminhões, como em sacas de alimento, e armazenavam em galpões nos municípios de Igarassu, Paulista e Olinda, na região metropolitana do Recife, e até mesmo em uma mansão com piscina localizada na zona rural de Igarassu.

“Em uma segunda situação flagrancial, deparamos com uma operação diretamente envolvida na organização. Pouco mais de duas toneladas de maconha foram apreendidas quando chegavam em um galpão de armazenamento, em Paulista. E mais 200 quilos da droga que já estavam preparados para sair em um veículo menor para entrega”, disse a delegada Adriana. O primeiro flagrante ocorreu em setembro do ano passado, em um ponto de venda de drogas no Paulista que chamou a atenção da Polícia Federal e foi o ponto inicial da investigação.

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