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Saúde

20/3/2017 às 09h59

Redome quer atingir até 250 mil novos doadores de medula óssea este ano

O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), considerado o terceiro maior do mundo, pretende alcançar este ano entre 200 mil e 250 mil novos doadores voluntários, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que apresentam características de miscigenação próprias. A ideia é priorizar doadores cuja característica genética não tem tanta representatividade no registro.

O esforço para estimular o cadastro de doadores será feito também nas áreas de fronteiras, que inclui indígenas brasileiros, com o objetivo de fazer com que o registro nacional seja interessante também para países vizinhos da América Latina e para outras nações, como Portugal, Espanha, Itália, que contribuíram para a migração no Brasil. A informação foi dada à Agência Brasil pelo coordenador do Redome, sistema criado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) do Ministério da Saúde, Luis Fernando Bouzas.

Seguindo orientação geral para todos os registros no mundo, o Redome vai procurar também incluir doadores mais jovens no cadastro, na faixa de 18 anos a 30 anos. Além de os resultados dos transplantes com doadores nessa faixa etária serem melhores para os pacientes, mais tempo eles permanecerão cadastrados, com possibilidade de serem identificados.

Estatística

Segundo dados atualizados em fevereiro de 2017, o Redome atingiu o número de 4.252.269 doadores cadastrados, desde 2003. Somente nos dois primeiros meses deste ano, entraram no Redome 41.902 novos doadores. A maior quantidade de doadores (1.900.969) está no Sudeste e a menor, no Norte (291.708). A maioria dos doadores é encontrada hoje nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e do Paraná. Pessoas brancas (2.352.158) são maioria entre os doadores de medula óssea. Por faixa etária, o maior número de doadores é encontrado entre os que têm entre 30 e 34 anos (818.042) e por sexo, entre as mulheres (2.391.822).

Bouzas disse que isso ocorre por influência da própria população feminina, que é maior que a masculina no Brasil. No passado, havia uma disparidade maior: eram dois terços de mulheres para um terço de homens. “Mas isso vai quase se igualando em termos de gênero”. Um fato que explica as doadoras do sexo feminino serem maioria entre os doadores é que as mulheres têm maior espírito de solidariedade e de ajudar o próximo e não têm tanto medo dos procedimentos, disse.

O coordenador disse que da mesma maneira que o Redome nacional acessa doadores do mundo inteiro, não aparentados, ele estimados em 28 milhões atualmente, os demais países também podem buscar doadores no registro brasileiro de medula óssea. “A busca é nacional e internacional. Isso pode ser feito em paralelo”. Para se cadastrar, é preciso ter entre 18 e 55 anos, boa saúde, e se dirigir ao hemocentro de sua cidade.

Miscigenação

A compatibilidade, informou Bouzas, é individual. A chance de se encontrar doador para um paciente que tenha miscigenação étnica específica pode ser diferente. A chance é maior para um caucasiano e menor para um indivíduo da raça negra. A situação é similar no Brasil e em outros países. Apesar disso, o Brasil apresenta média, para todos os tipos de pacientes, em torno de 86% de chances de, no momento inicial, encontrar um doador compatível. “Isso é normal porque existem pessoas que na sua origem, na sua ascendência, tiveram uma miscigenação muito intensa. Por isso existem pessoas no mundo inteiro, entre 10% a 12%, que nunca vão encontrar doador, porque as características são muito específicas”.

A primeira etapa para se buscar um doador é sempre dentro da família, nos irmãos, para ver se há algum que seja compatível. As chances na genética entre irmãos são de 25% de se encontrar doador. Bouzas salientou que as famílias, nos últimos anos, têm diminuído bastante. Por isso, quando não se encontra um doador familiar, a solução é procurar um doador alternativo que pode ser acessado em um registro de doadores, como o Redome, ou em um banco de sangue de cordão umbilical. Outra alternativa mais recente é encontrar na família, entre o pai ou a mãe, a possibilidade de se fazer transplante parcialmente compatível. Os resultados, entretanto, ainda são experimentais. Daí essa não ser uma primeira escolha para transplante.

Doação

O eletricista de linhas de transmissão de Furnas Leonardo José Pereira, de Poços de Caldas (MG), é o terceiro doador de medula óssea identificado como compatível entre os funcionários da empresa. Ele já era doador de sangue e, em maio de 2015, após participar de uma campanha promovida por Furnas em parceria com a organização não governamental Grupo Pró-Medula, pediu sua inclusão no cadastro de doadores. A campanha objetiva ampliar o número de pessoas cadastradas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Segundo o gerente de Responsabilidade Sociocultural de Furnas, Marcos Machado, desde 2012, foram 800 voluntários cadastrados na empresa, subsidiária da Eletrobras.

Pereira vai fazer a doação no dia 3 de abril para um receptor de Belo Horizonte. Ele recebeu a notícia da compatibilidade no mesmo dia em que soube que vai ser pai pela primeira vez, após três anos de tentativas e depois que a esposa fez um tratamento in vitro. “Foi uma situação interessante”, disse. Leonardo não tem dúvidas que agiu de forma correta ao se inscrever no cadastro. “Não prejudica em nada a pessoa e a gente ajuda quem está precisando”.

O coordenador do Redome, Luis Fernando Bouzas, disse que iniciativas para aumentar o número de cadastros no Redome são “sempre bem-vindas”. “É importante a gente chamar a atenção nessas campanhas também para a manutenção dos cadastros. Ou seja, não basta o indivíduo se cadastrar; ele tem que manter seus dados atualizados no registro para que a gente possa localizá-lo”.

Bouzas informou que anualmente cerca de 1,2 mil a 1,4 mil novos pacientes são incluídos no Redome, em busca de doadores. Esse número, porém, não é fixo. “Não existe uma lista de pacientes. Na medida em que são incluídos, são avaliados, muitos são incluídos de forma inadequada, não têm condições”. A lista ativa com a qual o Redome trabalha atinge média de 900 pacientes não aparentados em busca de doador. “É um número expressivo. São pacientes que têm doenças graves e, se não fizerem o transplante, têm poucas chances de sobrevida e de cura”, disse.

A situação de pacientes crianças no Redome é mais específica que a de adultos. Aproximadamente, entre 25% e 30% dos pacientes que buscam transplante são crianças, cujas doenças têm uma indicação mais restrita. As doenças podem ser genéticas ou leucemias. Mesmo assim, Bouzas disse que antes de indicar o transplante, a maioria dessas leucemias tem indicação de outro tipo de tratamento, como quimioterapia, antes de chegar ao transplante.

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