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Datas Comemorativas / Dia das Mães

14/5/2017 às 02h27

Miguel: filho mais que especial para uma família especial

No Dia das Mães, o Jornal Regional homenageia as famílias com filhos com síndrome de Down

Xodó da família, Miguel também gosta de brincar de bola (Foto: Divulgação) Xodó da família, Miguel também gosta de brincar de bola (Foto: Divulgação)

A sala de estar da casa da professora Andrea Cristina de Sá Basseto, em Dracena, repleta de brinquedos, com a TV exibindo desenhos infantis deixa evidente, aos visitantes, a presença de uma criança na família: o pequeno Miguel, 4 anos.

Mais que um local de lazer e aconchego, a sala guarda lembranças, memórias e histórias de momentos marcantes na vida da família formada pelo pai Ailton, mãe Andrea, filhos Maria Clara e Miguel. Foi ali, na sala, que Miguel firmou seus primeiros passos na curta distância entre o sofá e o rack, aos 3 anos e quatro meses. O feito, muito comemorado por todos, foi resultado da caminhada que a família iniciara anos atrás, quando Miguel foi diagnosticado com síndrome de Down.

A segunda gestação de Andrea foi tranquila, os exames apresentavam resultados favoráveis e assim, para alegria da família, em março de 2013, Miguel chegou. Ainda na maternidade, Andrea notou uma certa aspereza nas mãozinhas do bebê. Os meses foram passando e a mãe de Andréa e o sogro sempre comentavam que o bebê era muito tranquilo, não chorava, não tinha firmeza no corpinho. Aos seis meses, Miguel teve meningite viral e precisou ficar internado em Marília. Foi a primeira vez que Andrea ouviu a pergunta: Ele é down? Andrea respondeu que não, mas ficou cismada. Lembrou das aulas na faculdade de Pedagogia, quando trataram do tema crianças com síndrome de Down, lembrou também que ela não via problemas em ter filho com síndrome de Down.

Mesmo depois da alta, Miguel enfrentava dificuldades na alimentação, quando uma pessoa da família sugeriu a busca por um tipo de ajuda mais específica. Novamente em Marília, agora acompanhada do sogro e de uma sobrinha, Andrea ouviu do neuropediatra que os exames seriam realizados, mas que ele tinha praticamente certeza sobre a síndrome de Down. “Perdi o chão. Não consegui escutar mais nada. Minha preocupação era o preconceito que o meu filho iria enfrentar, os olhares ‘tortos’ e piedosos”, revelou.

De volta para casa, deu a notícia para o marido e se jogou na internet em busca de informação. Pouco tempo depois o casal recebeu o diagnóstico: síndrome de Down. Na ocasião, o médico foi taxativo: “Não encarem como uma doença, é uma condição genética. Ele tem capacidade e potencialidade para fazer tudo, levar uma vida normal, só precisa de estímulo e de amor”, assegurou.

Miguel estava com oito meses e a família decidiu que não havia tempo a perder. Orientados pelo especialista, Miguel continuou na creche (escola regular) e a família buscou a Apae de Dracena. Atualmente, o menino frequenta a creche, a Apae (atendimentos de terapia ocupacional, fisioterapia, fono e psicólogo), tem aulas de equoterapia, que adora, e faz mais sessões particulares de fonoaudiologia. “A estimulação pode ser iniciada aos dois meses, e a criança vai se desenvolvendo, várias frentes são trabalhadas e a equoterapia auxiliou muito no processo aprendizagem e para começar a andar. O que seu filho vai ser amanhã depende do que você proporcionar para ele hoje. Deus não dá bênção para qualquer pessoa, escolhe os capacitados. O Miguel uniu muito a família, nós costumamos falar que quem tem Down tem o cromossomo do amor”, revelou.

Para entender e poder ajudar o filho, Andrea voltou a estudar, fez duas especializações: Neuropedagogia da Educação, em 2015 e Transtorno Global do Desenvolvimento, no ano passado. "Mais importante que acompanhar a faixa etária, é desenvolver um bom aprendizado, no tempo dele. E, para as mães de crianças com a síndrome, não é preciso desespero. Elas (crianças) têm muito mais para nos dar do que nós damos a elas. São um presente”, aconselhou.

A entrevista termina e nos despedimos. Miguel quer nos acompanhar até o carro, de mãos dadas com a mãe, no seu tempo, sem pressa, o garoto caminha, confiante, passo após passo.

Outras Imagens:

  •  (Foto: Divulgação)

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