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Habitação

20/6/2017 às 15h57

Sem dinheiro, Caixa suspende financiamento de imóveis com recursos do FGTS

Banco não está mais oferecendo a linha pró-cotista, que é a mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida

 (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo) (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

A Caixa Econômica Federal suspendeu a oferta de uma das linhas de crédito imobiliário mais baratas do mercado: a chamada pró-cotista, que usa dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e beneficia trabalhadores com carteira assinada.

Mesmo após a injeção de R$ 2,54 bilhões em dinheiro extra no mês passado, o dinheiro acabou novamente e o banco suspendeu novos créditos para compra de imóveis de até R$ 950 mil.

“A Caixa Econômica Federal informa que estão suspensas as contratações de novas operações da linha de crédito pró-cotista – recursos FGTS, em razão do comprometimento total do orçamento disponibilizado pelo Conselho Curador do FGTS para o exercício de 2017”, cita a nota à imprensa divulgada pelo banco federal.

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A linha pró-cotista tinha originalmente R$ 5 bilhões para o ano, mas os recursos estavam muito perto de acabar no mês passado. Sem saldo, a Caixa pediu mais recursos e o Ministério das Cidades atendeu ao pedido com a realocação de R$ 2,54 bilhões extras. O dinheiro novo, porém, acabou se esgotando novamente em pouco mais de 30 dias.

A Caixa não comenta as razões para o fim do recursos e nota que o tema é uma decisão do Conselho Curador do FGTS. Vale lembrar, porém, que as contas inativas do Fundo de Garantia têm sido sacadas em um programa de forte apelo popular anunciado pelo governo Michel Temer. Ao todo, R$ 41,4 bilhões estavam em contas inativas e estão à disposição dos cotistas para saque.

Dados preliminares mostram que a retirada dos recursos tem sido elevada e boa parte desse montante deve sair do FGTS – o que pode influenciar a capacidade dos gestores em financiar projetos ou o segmento imobiliário.

A linha pró-cotista só pode ser usada por trabalhadores com pelo menos três anos de vínculo com o FGTS. Além disso, eles precisam estar trabalhando ou ter saldo na conta do Fundo de Garantia que some valor de pelo menos 10% do imóvel.

A linha financia a compra de imóveis de até R$ 950 mil nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e de até R$ 800 mil nos outros estados. É a linha de empréstimo habitacional mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida. A taxa de juro para não correntistas do banco é de 8,61% ao ano. No financiamento com recursos da poupança, a taxa é de 10,49% ao ano.

Recuperação

Ainda que a interrupção da oferta dessa linha de crédito seja uma má notícia para os clientes, o cenário mostra algum sinal de recuperação do mercado – o que é positivo e, em momentos de crise, pode até ser motivo de comemoração. Em todo o ano passado, essa linha para compra da casa própria do FGTS liberou R$ 5,5 bilhões. O ritmo em 2017 é bem mais forte e a marca de R$ 7,54 bilhões foi alcançada em seis meses. O número, portanto, mostra que há mais demanda pelo crédito imobiliário.

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