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Região / Adamantina

10/1/2018 às 13h01

TCC de Arquitetura e Urbanismo propõe Parque Turístico para integrar Adamantina e Lucélia

Caíque Barbosa fez Arquitetura e Urbanismo na FACCAT, em Tupã, e concluiu o curso no final do ano.

 (Foto: Divulgação) (Foto: Divulgação)

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado no final de 2017 pelo estudante de arquitetura e urbanismo, Caique Barbosa, propõe a integração entre Adamantina e Lucélia a partir de um Parque Turístico localizado às margens da estrada vicinal que liga as duas cidades. A distância entre o Jardim Bela Vista (Adamantina) e Jardim Nova Lucélia (Lucélia) é cerca de 3 km. Em linha reta, essa distância chega a 2 km.

Caique mora em Lucélia, fez Arquitetura e Urbanismo na FACCAT, em Tupã, e concluiu o curso no final do ano passado. Sua proposta é estruturada a partir de duas perspectivas. A primeira delas aborda os perigos de uma futura conurbação sem planejamento. Esse fenômeno urbano ocorre quando duas cidades limítrofes se encontram, compondo um único núcleo urbano. 

Em algumas situações, pela lógica da conurbação, as duas cidades crescem até se encontrar em um ou mais pontos do território. Em outros casos, apenas uma das cidades alcança a outra. Sem estratégia e planejamento, essas redefinições territorial e urbanística podem se tornar um problema. “Devido à conurbação, pode existir a transferência de problemas de uma cidade a outra, caso não exista um planejamento antecipado”, escreveu em seu TCC.

A segunda, busca demonstrar como o turismo, principalmente em municípios que estão passando por dificuldades financeiras, pode ser um meio que traz benefícios a curto e longo prazos. “A aplicação do Parque vem como solução, tanto das problemáticas, mas também para aproveitar os pontos potenciais da área”.

Ao sustentar os aspectos positivos do turismo, Caique cita em seu TCC a dissertação de mestrado defendida por Maria Zenaide Ricardi Nodari na Universidade Federal do Paraná. As principais contribuições do turismo, às cidades, estão na possibilidade de aumentar a renda das pessoas, estimular investimentos, gerar empregos, estimular a redistribuição de riquezas e promover efeitos multiplicadores, configurando-se em importante motor para o desenvolvimento econômico. “O Parque poderá potencializar tanto a área que atualmente está “abandonada”, mas também trazer melhoras significativas em ambos os municípios”, destaca. “Ademais, cidades turísticas normalmente conseguem ter uma verba anual a qual pode ser utilizada para melhora de sua infraestrutura”, completa.

A proposta de Caique está em sintonia com o pensamento de cidades como Adamantina e Lucélia, que pleiteiam a condição de Municípios de Interesse Turístico (MIT), em projetos que tramitam na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Porém, a sustentação dessa ideia de integração precisa sensibilizar as lideranças e a população das duas cidades.

A origem dos estudos e a apropriação do espaço turístico pela população das duas cidades

A ideia pelo TCC que propõe o Parque Turístico entre as duas cidades tem embasamento no cotidiano dos moradores e nos cenários de potencialidades das duas localidades. “Como morador da cidade de Lucélia, desde sempre precisei ir para Adamantina resolver algo ou fazer compras. Durante muito tempo, tenho reparado a dificuldade de mobilidade que existe na área abordada. Inúmeras vezes já me deparei com pessoas andando a pé ou bicicleta até mesmo em horários noturnos na vicinal, fora os motoristas que extrapolam o limite de velocidade, inclusive já tive amigos que sofreram acidentes no local” revela.

No início da faculdade, Caique fez uma visita ao Salto Carlos Botelho, no Rio Aguapeí, em Lucélia, para pesquisas sobre um trabalho e identificou que o local estava totalmente em processo de deterioração. A partir daí começou a pesquisar e constatar que a história da cidade e região estava sendo esquecida ou seus elementos sendo degradados.

Assim, as necessidades como morador de Lucélia fizeram despertar nele o interesse em trazer melhoras para esses problemas. “Com isso, fiz uma proposta a qual poderia de forma natural trazer mudanças às cidades, mas pensando principalmente em sua população, propondo soluções que melhorassem sua qualidade de vida e não apenas colocasse o Parque Turístico como um meio econômico das cidades”.

Caique disse que estuda o tema conurbação em cidades pequenas – como Lucélia e Adamantina – desde o início da faculdade, em 2013. Já a proposta do Parque Turístico surgiu no começo do ano passado, quando ingressava na reta final do curso. O desafio era mensurar os impactos da conurbação, no contexto local, e como isso poderia ser aproveitado de forma positiva. “Após conversar bastante com meu orientador do TCC, que já tem bastante experiência sobre turismo relacionado à arquitetura, comecei a ligar os pontos e ver como uma solução de mobilidade na área poderia ser atrelada ao fato de que as cidades possuem áreas potenciais e material histórico sendo perdidos. A linha férrea passando no local escolhido para aplicação do Parque foi um ponto impactante, principalmente pelo valor histórico que o trem representa para as cidades e toda nossa região”, reforçou.

Normalmente em cidades turísticas – segundo Caique – os locais turísticos, acabam excluindo a própria população, ou são utilizados apenas na presença dos turistas. Nesse aspecto, o estudante traz uma abordagem que propõe e estimula a apropriação do espaço pela população das duas cidades.

De acordo com o autor do TCC, o Parque tem uma proposta inversa, de ter os turistas, mas também a população presente no seu dia-a-dia, podendo utilizar tal área e ter a sensação de ser dona daquele espaço. Isso também pode evitar a degradação do local, pois um espaço onde existe a presença constante da população, normalmente há mais vigilância – pela própria comunidade – e menos perigo de ser destruído.

Aposta na integração e no turismo como fatores de desenvolvimento

Caique Barbosa acredita que a integração entre as duas cidades, tão próximas, é algo que pode trazer novas perspectivas, em áreas e temas comuns às duas localidades. Para ele, o termo

conurbação não pode ser entendido apenas como a junção das malhas urbanas, mas também de suas atividades políticas, socioeconômicas, entre outras, e um exemplo disso é a maneira como os habitantes de Lucélia utilizam os serviços de Adamantina e, reciprocamente. “O que necessita é existir maior visão do setor político, podendo assim ter um melhor estudo dos impactos positivos de tal processo e potencializar ainda mais o poder que as cidades podem ter em conjunto”, sinaliza.

Caique defende que o turismo poderá trazer novas perspectivas para as duas cidades, porém possivelmente o turista não iria ficar em apenas uma cidade, mas sim utilizaria ambas. “Para se ter um turismo de qualidade são necessários infraestrutura, mobilidade, entre outros aspectos que poderiam ser melhorados de forma conjunta, ao mesmo tempo dando também uma melhor qualidade de vida aos seus habitantes”, aposta.

Convicto, Caique destaca que Adamantina e Lucélia são cidades que tem grande potencial, principalmente se houver forças conjuntas. “Nosso papel como cidadão é de cobrar, porém também começar a conhecer um pouco mais sobre nossas cidades, pois a história de um povo não pode ser perdida, mas sim valorizada”, diz. “Cidades são como organismos vivos, se transformam a cada momento, devemos ter a mente aberta para o futuro. Apenas com a força de todos nós poderemos fazer nossas cidades e região cada vez melhor”, continua.

Com a discussão aberta sobre o tema trazido pelo seu TCC, Caique espera transmitir novos ideais e despertar na população de como o turismo pode transformar e ser um ótimo objeto para melhora econômica, principalmente nos dias atuais onde a maioria das cidades passa por dificuldades financeiras, e assim proporcionar uma maior percepção de como as cidades de certa forma já estão interligadas. Desta forma, seguindo ele, o Parque acaba sendo algo incomum e natural para resolução de vários problemas que ambas vivenciam atualmente.

Nascido em Adamantina e morando em Lucélia, Caique destaca que durante o curso, nos debates em sala, sobre as cidades, sempre defendeu sua terra natal, onde inúmeras vezes foram comparados alguns de seus aspectos a Tupã, que tem quase o dobro de sua população. “Mesmo assim, Adamantina está mostrando cada vez mais que tem potencialidades iguais ou até maiores em vários setores, pois está se tornando uma cidade de importância regional, e como morador de Lucélia, tenho muito orgulho disso, até mesmo porque temos dois municípios, porém, na realidade, uma grande família”, ressalta.

Arquitetura, urbanismo e os desafios da profissão

Os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) na área de arquitetura e urbanismo, contextualizados com a realidade, podem contribuir para discutir as cidades. Para Caique, o TCC pode ter um papel fundamental para incrementar novas ideias e soluções, principalmente pelo ponto de vista de um morador, que normalmente conhece bastante o local, seus problemas e potencialidades. “O que normalmente acontece é que em muitas cidades menores não existe o interesse sobre como o urbanismo pode transformar as cidades. Quando existe um estudo correto em cidades que estão em fase de crescimento, as soluções futuras também são mais fáceis de serem aplicadas”, esclarece. 

Sobre a profissão escolhida, Caique pretende atuar e contribuir para transformar as cidades, propondo algo mais humanizado em tempos onde apenas o rentável é importante. “Um dos papeis fundamentais do arquiteto e urbanista é informar a população sobre a importância de se ter uma cidade legal, democrática”, diz. “Nossa qualidade de vida está totalmente ligada aos meios de vida que levamos, onde uma simples mudança, como uma moradia melhor ou um espaço de lazer mais bem elaborado, podem trazer grandes benefícios”, finaliza.

 

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