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Especial

3/6/2018 às 08h32

Palestrante e escritor Fernando Moraes revela que a Educação mudou sua vida

Recentemente, ele esteve em Dracena para palestra e lançamento do livro “Um Amor em Movimento” e durante visita ao JR compartilhou sua trajetória pessoal

O escrito Fernando Moraes esteve na sede do JR (Foto: Lucas Mello/JR) O escrito Fernando Moraes esteve na sede do JR (Foto: Lucas Mello/JR)

 

Quem lê os livros do escritor Fernando Gomes de Moraes não imagina que história de vida dele já seria enredo suficiente para um bom livro, filme ou até mesmo telenovela como aquelas que a saudosa avó Maria Benedita gostava de assistir na companhia dele.

O palestrante autor, como gosta de ser chamado, esteve em Dracena para lançamento do livro “Um amor em movimento” na Unifadra/Fundec, quando visitou o Jornal Regional e compartilhou um pouco de sua trajetória e visão de mundo sobre vários assuntos. 

Fugindo do marido violento, a mãe de Fernando deixou o Rio Grande do Sul e seguiu para Campinas após aceitar a ajuda de uma amiga que lhe estendeu a mão.  Com pouco estudo e numa época em que as pessoas se comunicavam por meio de orelhões com fichas telefônicas, dona Vera não conseguiu contato com a referida amiga ao chegar a Campinas. Por 11 dias, ela e o casal de filhos viveram no Terminal Rodoviário. Até a amiga ter a ideia de ir à rodoviária e por sorte encontrar a família no local.

Em Campinas, a família morou na periferia, “na casa mais pobre do bairro” e nos dias de chuva, segundo o palestrante, era mais seguro sair do local pelo risco de desabar. Fernando trabalhou desde pequeno para ajudar no sustento da família e nos momentos em que viveu com a avó conheceu o poder do afeto. “Quando a minha avó veio morar com a gente mudou tudo. Ela me ajudou a elaborar o processo de entender quem eu era. Eu poderia não ser rico, poderia não ser importante para os outros, mas eu era importante para ela e minha avó foi preponderante na minha vida”, contou.

Na adolescência, começou a trabalhar como aprendiz numa grande empresa que tinha uma fundação.  Foi estudar Ciências Sociais na PUC, batalhando por uma bolsa de estudos que conquistou meses depois. Durante a faculdade participou de um concurso e teve um projeto aprovado pelo Centro Cultural Luso Brasileiro em Coimbra-Portugal, assim abria seu caminho para trabalhar em projetos sociais internacionais no futuro. Em menos de dez anos chegou ao cargo de diretor-executivo da fundação mantida pela referida empresa.

Enquanto vivia um período de muitos “amigos”, muitos “convites” também viveu um período de muito “ego”. Foi despertado a tempo por um amigo de longa data e então funcionário. Abrindo a conversa, o amigo deixou claro que não estava com medo de ser demitido e foi taxativo: “não te reconheço mais”. Fernando ficou mexido e anos mais tarde conseguiu compreender a importância da conversa, sendo grato ao amigo.

Algum tempo depois, Fernando começou a atuar como consultor e revelou que em 2004 viveu uma fase que ele denominou como deserto. Convites para eventos e os cartões-postais foram minguando, as oportunidades de trabalho não se concretizavam por acharem que o salário dele deveria ser muito alto. “Não eram meus amigos, eram amigos da minha rede de contato, da posição social”, revelou. Mais uma vez, os ensinamentos da vó Maria Benedita ressoaram: seja forte e corajoso, enfrente!

Fernando foi forte, corajoso, se reinventou. Foi resiliente. Por meio da educação transformou sua vida, ressignificou seu passado. O currículo invejável pode ser conhecido na contracapa dos livros, no site que leva seu nome, mas a sua história só pertence a ele. E Fernando  vai compartilhando nas palestras pelo país, em entrevistas generosas como essa e, claro, segue escrevendo ao lado da esposa, filhas, familiares  e amigos. “A indiferença social é a expressão mais visível do ódio , tão profundo que é capaz de emprestar ao outro a capacidade do não ser, do não existir”, encerrou fortalecendo a necessidade de se combater a indiferença.

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