• terça-feira, 25 de setembro de 2018
  • 09:52 Icone do tempo--ºC / --ºC

Política

4/7/2018 às 12h00

Desigualdade social contribui para o círculo vicioso da corrupção

O ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, disse que a desigualdade social no país contribui para o círculo vicioso da corrupção. Ele participou hoje (4) do Fórum do jornal O Estado de S. Paulo sobre compliance, na capital paulista.

Para o ministro, as experiências de outros países que viveram o mesmo problema mostram que grandes crises – como a que o Brasil vive – são comuns antes que se deixe a corrupção para trás. Ele explica que o círculo vicioso inclui de desconfiança generalizada da população em seus líderes à lógica particularista. “Isso [lógica particularista] explica os agentes envolvidos em corrupção, porque eles não entendem o dinheiro como da sociedade”, disse.

Outro fator que intensifica o círculo vicioso é a forte polarização de pensamentos na sociedade brasileira atual. “Ou você é Flamengo ou Vasco, ou direita ou esquerda, o que dificulta muito o diálogo racional, fica difícil buscar um consenso”, declarou. O ministro defendeu que a população tenha mais acesso à informação e mais certeza da existência de planos e medidas reais por parte do governo com objetivo, “se não de eliminar, mas detectar os casos de corrupção”.

Portal da Transparência

Segundo o ministro, a CGU respondeu 99% dos pedidos de informações recebidos via Lei de Acesso à Informação em 2017. No total, foram 560 mil pedidos, sendo que o canal levou, em média, 14 dias para responder à demanda. “Se você não responde em 60 dias, você não sabe se é [uma resposta] negativa ou se é ineficiência do governo”.

No ano passado, o Portal da Transparência recebeu 21 milhões de visitas. De acordo com o ministro, a página está com interface mais direta, mais interativa e navegação intuitiva. Além de dados sobre o governo federal, é possível obter informações em âmbitos estadual e municipal. Estados e municípios são incentivados pela CGU a manter as medidas de transparência atualizadas.

Cartão corporativo e salários

Wagner Rosário destacou a importância do uso do cartão corporativo para a transparência. “Uma das ferramentas mais inteligentes são os gastos com cartão corporativo, que é rastreável e você sabe onde foi gasto”. Em 2007, segundo o ministro, foram pagos 70 milhões nos cartões, valor “muito pequeno” tendo em vista o total de gastos do governo federal. Assim que foi disponibilizado o extrato dos cartões, no ano seguinte, os gastos caíram para 55 milhões. “Porque as pessoas tinham receio de que vejam com o que elas estavam gastando”.

Outro exemplo foi a abertura dos salários de servidores públicos, muito questionada inicialmente. “Depois que colocou, acabou a discussão, as dúvidas que existiam ficaram para trás. Nada mais justo que as pessoas saibam quanto cada uma delas recebe”, disse o ministro.

Edição: Valéria Aguiar

 

Comentários



  • Regras para comentários

    Não serão aceitas as seguintes mensagens:

    Com conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou que desrespeite a privacidade alheia;

    Com conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas;

    Com linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica;

    De cunho comercial e/ou pertencentes a correntes ou pirâmides de qualquer espécie;

    Anônimas ou assinadas com e-mail falso;

    O Portal Regional:

    Não se responsabiliza pelos comentários dos internautas;

    Se reserva o direito de, a qualquer tempo e a seu exclusivo critério, retirar qualquer mensagem que possa ser interpretada contrária a estas regras ou às normas legais em vigor;

    Não se responsabiliza por qualquer dano supostamente decorrente do uso deste serviço perante usuários ou quaisquer terceiros;

    Se reserva o direito de modificar as regras acima a qualquer momento, a seu exclusivo critério.

Leia também