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Esporte / Copa do Mundo

11/7/2018 às 10h30

Salenko, do salário semiprofissional ao livro dos recordes da Copa do Mundo

No dia 28 de julho de 1994, o atacante Oleg Salenko entrou para a história da Copa do Mundo ao se tornar o único jogador a marcar cinco gols em uma mesma partida, na goleada por 6 a 1 da Rússia sobre Camarões.

O feito foi alcançado no estádio Stanford, pela fase de grupos do torneio disputado nos Estados Unidos, e o artilheiro russo ainda saiu com uma curiosa frase: "Acabou que foi mais fácil marcar os cinco gols contra Camarões do que passar pelo exame antidoping".

O jogador, à época com 24 anos, marcou todos esses gols em menos de uma hora, entre os 16 minutos do primeiro tempo e os 30 da segunda etapa. Já no controle antidoping, precisou de cinco cervejas sem álcool e um litro de água para conseguir urinar o suficiente para a coleta de uma amostra. As duas horas de espera foram o resultado da desidratação causada pela partida disputa sob o calor que se aproximava dos 40°C.

Reserva contra o Brasil na derrota por 2 a 0 na estreia e titular no tropeço para a Suécia por 3 a 1, no qual também balançou a rede, mas não evitou a eliminação da Rússia na Copa, Salenko admite que não tinha noção do feito que protagonizou no jogo da segunda rodada do Grupo B.

"Não me dei conta de verdade de que tinha um recorde da Copa do Mundo até encerrar a minha carreira", confessou em entrevista à Fifa, mais de duas décadas após sua façanha.

Depois de fazer gols das mais variadas formas, o atacante viu um telão no estádio apontar a frase "recorde da Copa do Mundo". O jogador revela que a tarde feliz foi antecipada em sonho.

"Eu era companheiro de quarto de Dmitri Radchenko e nós dois marcamos contra Camarões. Na noite anterior ao jogo, sonhei que ia marcar muitos gols. Às vezes, tenho premonições assim. Mas não pensava que fosse conseguir cinco", exclamou o russo, que terminou como artilheiro daquela competição ao lado do búlgaro Hristo Stoichkov, com seis gols.

O que o atacante não conseguiu prever foi que aquele seria o último torneio que disputaria com pela seleção. Oleg Romantsev, que assumiu o comando da equipe após o Mundial, nunca mais o convocou.

"Cada treinador escolhe seus jogadores segundo conceitos particulares, e nesta ocasião, tanto o meu auxiliar como eu pensávamos que outros jogadores estavam em melhores condições", disse certa vez o técnico, acusado de ser um "ditador" por Salenko, que afirmou que o comandante se vingou dos jogadores que foram à Copa.

É possível dizer que o artilheiro só teve oportunidade pela seleção naquele torneio por causa do boicote promovido por vários jogadores, que reclamaram dos métodos do treinador Pavel Sadyrin e da premiação oferecida pela federação russa. Os atacantes Igor Shalimov, da Inter de Milão, e Andrey Kanchelskis, do Manchester United, foram dois que não participaram da disputa.

Naquela época, Salenko deixava o Logroñés (da Espanha), onde chegou a receber salário de semiprofissional (cerca de 352 euros), para defender o Valencia e tinha como grandes feitos na carreira as artilharias da Copa do Mundo Sub-20, disputada na Arábia Saudita, e do Campeonato Ucraniano, ambos entre 1989 e 1990. Passou na sequência por Glasgow Rangers, Istambulspor, Córdoba e Pogon Szczecin.

Aposentado desde 2001, ele atualmente mora em Kiev, onde joga com a seleção de veteranos da Ucrânia. Em 2012, o recordista revela que recebeu uma oferta para vender a sua Chuteira de Ouro da Copa de 1994 para os Emirados Árabes, que pretendiam organizar um grande torneio e abrir um museu de feitos esportivos.

"No fim, o torneio não vingou e o projeto não deu em nada, mas fiquei feliz. Quando me pediram, deixei a peça exposta no restaurante do Estádio Olímpico de Kiev, para que as pessoas pudessem ver e tirar fotos com ela, gerou grande interesse. Gostaria que o troféu tivesse alguma atenção durante a Copa do Mundo 2018 porque é um reconhecimento a toda a seleção russa, não somente a mim", finalizou Salenko.

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