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Internacional

11/7/2018 às 19h27

Resgate na Tailândia: o mergulhador médico australiano que ficou com meninos na caverna até o final

Richard Harris, que combinava duas especialidades extremamente úteis nesse caso, estava de férias na Tailândia e se ofereceu para integrar equipe de resgate; ele avaliou e cuidou das crianças antes que elas fossem retiradas.

O médico e mergulhador Richard Harris ficou três dias na caverna com os meninos tailandeses (Foto: Oztek/Richard Harris) O médico e mergulhador Richard Harris ficou três dias na caverna com os meninos tailandeses (Foto: Oztek/Richard Harris)

Foi uma combinação rara de talentos que levou o médico australiano Richard Harris às cavernas Tham Luang na Tailândia.

Quando os 12 meninos do time de futebol Wild Boars e o técnico foram localizados em uma caverna nove dias após seu desaparecimento, o anestesista interrompeu suas férias na Tailândia e se voluntariou para ajudar.

O médico, especialista em prestar socorro em cavernas, conseguiu chegar ao local onde os meninos estavam para avaliar suas condições de saúde e ficou com eles por três dias.

Foi sob sua supervisão que as crianças que estavam mais debilitadas foram escolhidas para sair primeiro da caverna.

Harris, conhecido como Harry, foi uma das últimas pessoas da equipe de resgate a deixar a caverna.

Só que o alívio e a comemoração, ao menos para ele, foram interrompidos pela chegada de uma notícia triste: a de que seu pai morrera logo após o resgate ter acabado.

Harris trabalha para o Serviço de Ambulâncias da Austrália do Sul (MedSTAR), equipe de médicos e socorristas especializados em resgates de emergência. Andrew Pearce, do MedSTAR, diz que o luto de Harris e sua família ganharam proporções ainda maiores por causa da demanda física e emocional da operação de resgate dos meninos na caverna.

 

"Tem sido uma semana cheia de altos e baixos", disse Pearce, pedindo privacidade neste momento. "Harry é um homem gentil e tranquilo que não pensou duas vezes para se voluntariar nessa missão."

 

Parte essencial

 

Segundo o governo australiano, Harris foi requisitado pelo governo tailandês para se juntar à missão de resgate, após sugestões de mergulhadores britânicos.

 

"Ele foi uma parte essencial do resgate", disse a ministra de Relações Exteriores da Austrália, Julie Bishop.

 

"[Os australianos] têm ajudado muito, especialmente o médico", disse o líder da missão de resgate, o governador da província de Chiang Rai, Narongsak Osotanakorn, a um jornal australiano há alguns dias. Ele se referiu a Harris como "o melhor".

Sue Crowe, amiga de Harris, disse à BBC que o médico é um homem de família modesto e altruísta e que sua presença calma deve ter confortado os meninos na caverna.

 

"Ele é brilhante com crianças e se certificaria de que elas estivessem preparadas da melhor maneira possível para a perspectiva de mergulho pelas cavernas", disse ela. "Ele era a pessoa perfeita para apoiá-las."

 

Nas redes sociais, muitos conterrâneos de Harris destacaram seu trabalho na missão e até pediram que ele fosse nomeado o Australiano do Ano, a maior honraria civil do país.

 

 

Mergulhos profissionais

 

O experiente mergulhador, que também é fotógrafo subaquático, completou várias expedições em cavernas na Austrália, Nova Zelândia e China.

Uma delas terminou em tragédia: em 2011, uma colega e amiga, Agnes Milowka, ficou sem ar durante um mergulho em uma caverna no sul da Austrália e morreu.

Bishop disse que Harris, que mora na cidade de Adelaide, também é conhecido pelas autoridades por seu trabalho com equipes de emergência em desastres naturais na região do Pacífico.

"Ele é um australiano extraordinário e certamente fez uma grande diferença no esforço de resgate na Tailândia", disse ela.

A ministra também elogiou seu parceiro de mergulho, Craig Challen, um veterinário de Perth.

A dupla fez parte de uma equipe de 20 australianos, incluindo policiais e mergulhadores da Marinha, que auxiliaram na operação.

 
Infográfico mostra como foi organizado o resgate de grupo preso em caverna na Tailândia  (Foto: Karina Almeida, Juliane Monteiro e Betta Jaworski/G1)

Infográfico mostra como foi organizado o resgate de grupo preso em caverna na Tailândia (Foto: Karina Almeida, Juliane Monteiro e Betta Jaworski/G1)

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