Os produtores de acerola da microrregião de Dracena passam por uma das piores crises do setor nos últimos anos. O motivo é a falta de mercado interno e nos países que vinham comprando o produto, principalmente na Europa.

Segundo a Cooperativa Agrícola de Junqueirópolis, que reúne mais de 70 produtores, a previsão para a safra 2012-2013, que teve início em outubro e deve ser concluída em junho, é uma queda de até 30% na produção, comparada aos anos anteriores.

“A dificuldade está em colocar o produto no mercado”, informa o presidente da Cooperativa e diretor municipal da Agricultura de Junqueirópolis, Osvaldo Dias. Ele explica que na safra passada (2011-2012) já houve uma redução na produção, em relação ao ano anterior (safra de 2010-2011), devido o início da crise na Europa. “Isso aconteceu depois de um ano bom para a acerola, na safra 2010-2011”, explica Dias.

Na safra 2010-2011 foram colhidas no município, 3.550 toneladas da fruta; na seguinte, 2011-2012, caiu para 2.800 toneladas e na atual (2012-2013) a expectativa otimista é de serem colhidas no máximo 2.500 toneladas.

No município estão cultivados de 150 a160 hectares de acerola, mas de acordo com o presidente da Cooperativa, já há produtores erradicando plantação, ou então deixando de colher, desestimulados pela falta de mercado.

“A empresa que antes comprava 500 toneladas da fruta, hoje adquire no máximo, 200 a 300 toneladas, além da queda nas vendas, as exigências de quem compra são muitas, aumentou a responsabilidade tanto do produtor quanto da Cooperativa”, informa Dias, referindo-se a uma das principais preocupações das empresas compradoras, o uso do agrotóxico no plantio da acerola.

Para vender a produção, Cooperativa e os produtores têm que assinar um termo de responsabilidade, comprovando que o agrotóxico não é usado na plantação. A Cooperativa paga ao produtor pelo quilo da acerola, R$ 0,80, enquanto o custo de produção gira entre R$ 0,50 a R$ 0,55, o quilo.

Dias aponta duas causas pela crise, a oferta do produto que aumentou no País, principalmente nos estados do Nordeste, onde estão sediadas as empresas do Brasil que mais adquiriam o produto na região e o agravamento da crise européia, reduzindo a exportação.

Uma das medidas para o produtor contornar esse período difícil, na análise de Dias é reduzir os gastos com a produção. “Temos que ser cautelosos e ao mesmo tempo, aguardar até o mercado reverter em favor dos produtores”, conclui o presidente da Cooperativa.