O sargento Ramos esteve na sede do JR e viu a edição que trouxe a história dele (Lucas Mello/JR)

Muita emoção marcou o reencontro do 1º sargento Alex Sandro com a família em Dracena, no último fim de semana. Os setes dias em que atuou voluntariamente na força-tarefa em Brumadinho-MG foram de trabalho exaustivo, muito desgaste físico e emocional. “Mesmo com o clima de muita tristeza na cidade, era possível ver a esperança no olhar das pessoas quando olhavam para nós, bombeiros. Fomos aplaudidos em muitos lugares que passamos. Teve até buzinaço”, revelou.

A rotina era puxada, todas as equipes se encontravam pela manhã no mesmo local e recebiam o roteiro de quais setores iriam atuar. Equipados com pá, picareta, enxada e enxadão, nas mochilas água, isotônico, barra de cereal e outros alimentos, as equipes seguiam em aeronaves uma vez que era impossível acessar os locais por outra via. “Tinha dias que andávamos 10, 12 quilômetros e em outros 3 quilômetros, tudo dependia da densidade da lama.  A locomoção era muito difícil por conta da densidade da lama que em muitas lugares batia na nossa cintura, em outros lugares era preciso rastejar”, contou.

A fotografia do sargento segurando a imagem de uma santa correu a internet e emocionou a todos.  Ele explicou que a sua equipe – a equipe dos bombeiros do Oeste Paulista formada por profissionais de Tupã, Presidente Prudente e Dracena – recebeu a missão de fazer o resgate de objetos com grande valor sentimental para a família Coelho, proprietária de um sítio em Brumadinho. Semanas após o desastre, a família viu que uma equipe de televisão havia feito imagens do local e entrou em contato com o Corpo de Bombeiros fazendo o pedido especial.

Não havia ninguém no referido sítio no dia do desastre, mas a família perdeu parentes que estavam em outros locais da cidade. Ramos contou que encontraram uma casa com metade do telhado no chão e exatamente nesta divisão havia uma estante que estava pensa. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, confirmada depois, estava nesta estante intacta sem ao menos uma mancha de lama. A equipe recolheu as fotografias e a santa e foi encontrar a aeronave no ponto combinado. De volta ao quartel entregaram os objetos para a Polícia Civil, que fez o contato e imediatamente, a família que estava a caminho de Belo Horizonte voltou a Brumadinho. De posse dos objetos, eles pediram se poderiam conhecer os bombeiros que fizeram o resgate. “Eles fizeram questão de nos cumprimentar e ficaram emocionados ao ver a imagem da santa o que acabou emocionando a todos que estavam ali”, lembrou.

Aos que questionaram sua decisão de atuar em Brumadinho, Ramos dá exemplo de altruísmo e civismo. “É preciso encontrar até a última pessoa desaparecida, devolver os corpos para as famílias, é um direito das famílias e um dever nosso”, considerou.

 

Nos preparativos para o trabalho (Cedida Acervo pessoal sargento Ramos)

O valor da família tem falado mais alto para o filho do bombeiro da reserva –  o  também sargento Ramos – e devoto de Nossa Senhora. O 1º sargento Alex Sandro Ramos vive um momento especial com a esposa Adrieli: a chegada de Ana Liz, a primogênita do casal será em maio, exatamente no mês dedicado a Maria, conforme a tradição católica. “Numa situação extrema como essa, a gente dá mais valor aos detalhes pequenos, tudo tem mais valor pra gente”, comentou.

O sargento Ramos (Cedida Acervo pessoal sargento Ramos)

VEJA A GALERIA DE FOTOS DOS TRABALHOS EM BRUMADINHO:

 

“Aprendi que o povo brasileiro é unido nessas horas”, afirma cabo Souza Cruz

 

Assim como o sargento Alex Ramos, o cabo Rodrigo Souza Cruz também aceitou ser voluntário para atuar nas buscas por vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho-MG.  O cabo viajou no último dia 13 integrando mais uma equipe dos bombeiros paulistas.  Também enfrentou as dificuldades do trabalho de buscas no local e viu de perto o sofrimento da população.

Ele ressaltou a importância de se estar sempre preparado física e psicologicamente para situações adversas inesperadas. “É uma ocorrência atípica. Mexeu com o país todo, então, foi uma satisfação imensa poder levar um pouco de conforto par aos familiares e pessoas que perderam amigos, poder ajudar e contribuir na busca das vítimas. Aprendi como o povo brasileiro é unido nessas horas, muitas pessoas querendo ajudar um pouco sendo de uma forma ou de outra”, considerou.

O cabo Souza Cruz também aceitou ser voluntário (Cedida acervo pessoal)

 

VEJA ALGUNS BILHETES QUE OS BOMBEIROS RECEBERAM NA MISSÃO: