Público que prestigiou a atividade no Dia da Consciência Negra (Divulgação/Prefeitura)

Na tarde de quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, a Biblioteca Municipal Prof.ª Nilce Teresina Arinos de Carvalho recebeu cerca de 60 alunos da Escola Estadual 9 de Julho para encontro do projeto “Conheça o Autor”, que busca explorar escritores menos conhecidos na literatura brasileira.

A autora que inaugurou o projeto foi Carolina Maria de Jesus, escritora que viveu em São Paulo nos anos 1950, 1960 e 1970. Mulher, negra, mãe solteira e moradora de favela, a mineira de Sacramento estudou somente até o segundo ano do Ensino Fundamental.

Em suas obras, Carolina sempre relata as vivências na comunidade, o drama de ser uma mulher negra e catadora de papel numa metrópole e ter que sustentar três filhos. Em vida, a autora teve quatro títulos publicados: Quarto de despejo (1960), seu livro com tiragem superior a 100 mil cópias, Casa de alvenaria (1961), Pedaços de fome (1963) e Provérbios (1963).

Falecida em 1977, a autora teve seis obras póstumas publicadas: Diário de Bitita (1977), Um Brasil para brasileiros (1982), Meu estranho diário (1996), Antologia pessoal (1996), Onde estas felicidades (2014) e Meu sonho é escrever: contos inéditos e outros escritos (2018).

Participaram do debate os professores Janete Morales e Germano de Jesus, o estudante Filipe Augusto, além do Secretário de Cultura e Turismo, João Paulo Benini, e os estudantes do 9 de Julho. Foram discutidos o papel do negro da sociedade, discriminação e a formação cultural brasileira dos séculos XX e XXI.

“A Carolina foi uma pessoa que batalhou do primeiro ao último dia de vida pelo seu espaço na sociedade. Cada obstáculo em sua vida foi um fator de motivação para crescer. A obra dele mostra a força da mulher que não aceita que lhe imponham limites”, disse o secretário de Cultura e Turismo, João Paulo Benini.

Para a bibliotecária, Lauriele Martins Lopes, o projeto “busca mostrar a riqueza da literatura brasileira. São inúmeros autores pouco conhecidos e que dispõem de obras de grande riqueza sociocultural”.