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A Polícia Civil de Araçatuba prendeu, nesta quarta-feira (15), uma mulher de 24 anos e mais três homens acusados de terem matado e esquartejado o corpo do advogado Ronaldo César Capelari, de 53 anos, que desapareceu de casa às 19h30 de segunda-feira e teve o corpo localizado em uma casa no bairro Água Branca na noite desta terça-feira.

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, delegados envolvidos nas investigações, disseram que a mulher envolvida no caso conhecia o advogado há dois meses, tendo contato pessoal com ele, e teria sido convencida por um dos três homens detidos a atraí-lo para que pudesse praticar um assalto.

A mulher de 24 anos é locatária da casa onde o corpo do advogado foi encontrado esquartejado em três partes, armazenadas em sacolas plásticas e escondidas dentro de um banheiro. Há indícios de que ela possa ter atraído o advogado para um encontro e quando ele chegou ao imóvel foi surpreendido pelo trio de assaltantes.

De acordo com o delegado Paulo Natal, após a Polícia Militar receber denúncia sobre a localização do cadáver, a mulher procurou a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) na manhã desta quarta-feira alegando que realmente era locatária do imóvel mas que não estava no local quando o crime aconteceu. “Ela chegou com uma história fantasiosa”, diz o delegado.

Em interrogatório, ela acabou revelando detalhes do esquema armado para, inicialmente, apenas assaltar o advogado. Um dos três homens envolvidos no assassinato já tinha o conhecimento de que ela conhecia Ronaldo Capelari e propôs uma ação conjunta para que ele fosse assaltado, uma vez que o entendimento dos bandidos era de que o profissional tinha dinheiro. Principalmente, porque já o haviam visto com a caminhonete S-10 branca, que foi localizada na manhã desta terça-feira em uma estrada rural já no município de Birigui, só que há cerca de dois quilômetros do local onde aconteceu o assassinato.

LATROCÍNIO

Ainda de acordo com o delegado, as informações levantadas até o momento indicam que o advogado Ronaldo Capelari foi vítima de um latrocínio. No entanto, a tipificação ainda não foi concluído porque a Polícia Civil pretende fazer novas diligências e interrogatórios dos quatro presos antes de fechar a motivação do crime.

O que se sabe, com base em declarações da mulher, é que o advogado teria em sua posse, quando chegou na casa, uma quantia de R$ 200,00 que seria dada a ela. No entanto, esse dinheiro acabou desaparecendo.

Segundo o delegado Paulo Natal, a mulher declarou que chamou o advogado até a residência e saiu antes que ele chegasse, deixando o imóvel aberto, com os demais criminosos no seu interior. Robaldo Capelari teria estacionado a caminhonete em frente, descido da caminhonete S-10 e entrado no imóvel, sendo abordado pelos três bandidos.

A Polícia Civil encontrou indícios de luta corporal entre o advogado e os criminosos no interior da caminhonete. No entanto, aguarda laudos de perícia do IML (Instituto Médico Legal) para comprovar de que maneira o advogado foi morto.

Existe a suspeita de que ele tenha sofrido dois golpes de machadinha na cabeça. “Dentro do banheiro onde o corpo foi encontrado tinha serrote e faca de todo tamanho”, disse o delegado nesta terça-feira.

DESOVA DOS RESTOS MORTAIS

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a intenção inicial dos criminosos era roubar a caminhonete do advogado, “desmanchá-la” e vender suas peças. No entanto, ao tentarem colocar o veículo na garagem da casa onde ocorreu o crime, os bandidos o bateram e derrubaram um pedaço de muro. Assustados com vestígios deixados no veículo, decidiram abandonar a S-10 na estrada de terra.

A Polícia Civil diz, ainda, que a caminhonete deveria ter sido usada, nos planos iniciais dos criminosos, para “desovar” os restos mortais do advogado. No entanto, pelo incidente ocorrido, os bandidos ficaram sem veículo para fazer a remoção do cadáver. Por conta disso, o corpo estava cortado em três partes em sacolas plásticas que deveriam ser retiradas da cena do crime na noite desta terça-feira. Para isso, os criminosos carregariam as sacolas a pé até algum “seguro” para efetuar a “desova”.

PRISÕES REQUISITADAS

Diante das declarações da mulher que serviu de atrativo para a emboscada armada contra o advogado Ronaldo Capelari, a Polícia Civil conseguiu localizar os três homens participantes do crime. Um se recusou a dar declarações em depoimento, outro negou atuação no assassinato e apenas um conformou participação.

Mesmo assim, a Polícia Civil solicitou ao Ministério Público Criminal manifestação favorável à prisão temporária dos quatro detidos. Uma decisão sobre a manutenção dos quatro presos, de forma temporária, deve ser proferida pela Justiça local ainda nesta quarta-feira. (Com informações 018 News)