Fernando Ruiz, presidente da Emdaep, fala ao JR sobre os efeitos econômicos da pandemia (Arquivo/JR)

A crise causada pela COVID-19 está atingindo diversas empresas na região de Dracena. Uma em especial causa uma preocupação maior, a Emdaep (Empresa de Desenvolvimento, Água, Esgoto e Pavimentação de Dracena). Fernando Ruiz, presidente da empresa conversou com a reportagem do Jornal Regional, disse sobre a atual situação da Emdaep. “O nosso faturamento caiu cerca de 50% desde que foram suspensos os cortes para inadimplentes”, disse Ruiz. Segundo Ruiz, alguns setores tiveram aumento de despesa. “Como existem mais pessoas dentro de casa, consequentemente mais pessoas estão consumindo água. Ou seja, nossas bombas estão mais ativas e consumindo mais energia”, alegou o presidente. O principal medo de Ruiz é com o pagamento dos funcionários. “Se continuar dessa forma, vai chegar o momento em que não teremos como pagar nossos funcionários. Já foram feitos ajustes nas jornadas de trabalho para cortar custos. Temos 22 funcionários que se encaixam no grupo de risco que estão de férias. Se o faturamento continuar caindo, não sei o que vai ser”, disse ele. Ruiz ainda afir
mou que não consegue traçar um paralelo de um futuro próximo. “Não tenho noção de como será nos próximos meses. Se vai amenizar o avanço da doença, se alguns setores voltam à normalidade. A única certeza que tenho é que a vida não será mais a mesma após esta pandemia”, afirmou Ruiz, alegando que a noção real da situação financeira da empresa se dará com o fechamento do faturamento mensal. Isenção Ruiz relatou que ainda por ser uma empresa de socieda
de mista (parte privada e parte pública), a Emdaep não foi notificada sobre isenções. “Existem pedidos da Prefeitura, do Ministério Público para conceder algumas isenções. Elas são atendidas normalmente. Mas por ser uma empresa de capital misto, não sabemos ainda como serão as medidas para aquelas famílias de baixa renda ou no cadastro único do governo federal”, disse. Ruiz completou explicando essa diferença. “Por exemplo, a Sabesp é uma empresa pública, então já está diretamente ligada a essas isen
ções. A Emdaep não é assim. Para nós, ainda não chegou nada”. Futuro De acordo com Ruiz, a população pode ficar despreocupada quanto a possíveis aumentos pós-pandemia. “Nós temos reajustes anuais em relação à inflação. Sempre em janeiro existe essa adequação. Para aumentar a tarifa em outro período e por outro motivo é preciso passar pela Câmara Municipal, Prefeitura, é uma condição diferente e difícil de acontecer”, finalizou o presidente.