“O comércio não pode ficar fechado, vai ser uma quebradeira geral”, desabafa (Vanessa Matsumoto/JR)

Nelson Rodrigues de Almeida, mais conhecido como seu Nelson.  Aos 85 anos e vindo da Bahia, chegou a Dracena no dia 16 de fevereiro de 1960 e desde então construiu sua vida na Cidade Milagre.

“Para mim, Dracena é a melhor cidade do mundo. Cheguei aqui, comecei a trabalhar firme e estou até hoje”, diz ele orgulho da escolha que fez ao sair de Ourinhos, primeira cidade que morou quando saiu do Nordeste.

Perguntado até quando vai continuar trabalhando, ele diz: “Até quando Deus me permitir. Eu tendo saúde e força pra continuar firme, não vou parar”.

Dono de um dos estabelecimentos mais antigos da cidade, seu Nelson lembra como era o centro da cidade quando chegou aqui. “A cidade mudou inteira. Tinha muita gente na lavoura. Aqui no centro da cidade era tudo muito diferente do que é hoje. Tinha até um campo de futebol”, disse ele, falando que a maioria dos habitantes de Dracena eram moradores da zona rural.

Para ele, Dracena cresceu por causa da agricultura local. “Você pode notar que depois que começaram com grandes plantações de cana-de-açúcar muita coisa mudou. As pessoas que moravam em sítios vieram pra cidade. As árvores foram sumindo, os pássaros quase não se escuta mais, mudou muito”, afirmou.

Seu Nelson é casado há 55 anos. Orgulhoso das três filhas, ele fala que a bicicletaria formou sua família. “Eu tenho três meninas, uma é médica, outra trabalha para o governo federal e a terceira é advogada. Formei as três com meus esforços aqui na bicicletaria”.

O comerciante viveu muita coisa em Dracena. Ele se lembra de fatos que não acontecem mais. “Aqui antigamente tinha uma briga política muito feia. Saia briga de pancadaria, tiroteio. Hoje isso acabou, está mais tranquilo. Vi muita coisa acontecer nessa cidade e vi-a crescer também”, lembra.

Ele conta orgulhoso das reformas e consertos que já fez em bicicletas. “Sempre prezo pelo o que o cliente pede. Para mim, o freguês é meu patrão. Tenho certeza que já arrumei mais de um milhão de bicicletas nessa vida”, diz ele com um sorriso no rosto.

Seu Nelson lembra e conta como surpreendeu muita gente. “Sempre fui muito bom em pintar os quadros da bicicleta. É um serviço que precisa de muito cuidado. Passar a lixa correta, a tinta, o pincel da forma certa. Eu me lembro de muita gente me perguntando como eu conseguia fazer aquilo. Para mim sempre foi muito simples e fácil”, disse ele, que explicou com muitos detalhes cada parte do processo.

Atualmente, a maior preocupação do senhor é a pandemia do coronavírus. Segundo ele, nunca viu tamanha crise. “Eu nunca vivi um negócio desses. Muitas pessoas vão quebrar, aqui no meu negócio caiu 80% o movimento. O comércio não pode ficar fechado, vai ser uma quebradeira geral”, explicou.

Agora, seu Nelson só pensa em trabalhar e trabalhar. “Quando tudo isso acabar eu vou continuar aqui, trabalhando enquanto Deus permitir e tendo saúde pra seguir em frente”, concluiu.

Seu Nelson conta que formou as três filhas com frutos obtidos através da bicicletaria (Vanessa Matsumoto/JR)