(Divulgação)

No início do ano, muitos acreditavam que o Palmeiras seria a única equipe capaz de fazer frente ao Flamengo na disputa pelo título nacional da temporada. Veio então o mês de agosto e, apesar de os comandados de Vanderlei Luxemburgo terem conquistado sem tanto brilho o Campeonato Paulista sobre o Corinthians, a boa eficiência do seu sistema defensivo – aliado ao talento de atletas como William na frente – levava a crer que o estilo de jogo do Verdão parecia bem adequado para a disputa de um campeonato de pontos corridos, como é o caso da Série A do Brasileirão.

Não foi o que ocorreu, no entanto. Embora tenha se mantido invicto durante os seus doze primeiros jogos na Série A de 2020 – a primeira derrota veio apenas em outubro, um 2 x 1 para o Botafogo no Rio de Janeiro –, o Palmeiras até aquele momento mais empatava do que vencia. Consequentemente, em meados de novembro – ou seja, pouco após o início do segundo turno da competição –, a equipe era apenas o quarto time mais cotado para vencer a primeira divisão no cômputo das apostas de futebol realizadas por traders esportivos, quando os apostadores esportivos compram e vendem cotações entre si da mesma forma que fariam numa bolsa de valores, aumentando assim suas chances de conseguir melhores odds.

É difícil determinar as razões dessa dificuldade que o Palmeiras vinha encontrando para engrenar no Brasileirão, mas o fato é que depois da derrota para o Botafogo a situação ficou ainda mais complicada, visto que os dois jogos seguintes foram derrotas sofridas em pleno Allianz Parque: 2 x 0 para o São Paulo e 3 x 1 para o Coritiba. Logo após este último jogo, a diretoria decidiu demitir Luxemburgo e por duas semanas teve como treinador o interino Andrey Lopes. Este comandou a equipe por cinco partidas – três pela Série A, uma pela Libertadores e outra pela Copa do Brasil – e teve um desempenho muito bom: perdeu apenas a primeira, vencendo as quatro seguintes.

Enquanto isso, o Palmeiras buscava novamente um treinador que poderia ter vindo ainda em fins do ano passado: o espanhol Miguel Ángel Ramírez, de 36 anos, do Independiente del Valle, do Equador. Em vez disso, o Verdão acabou acertando com o português Abel Ferreira, de 41 anos, que estava no PAOK, da Grécia. De qualquer forma, tanto o português que veio quanto o espanhol que não veio sinalizam uma clara mudança em termos de perfil desejado pela diretoria palmeirense: em vez de nomes consagrados, o clube agora segue a tendência de outros do futebol brasileiro de ter treinadores que não tenham medo de adotar um futebol ofensivo e implementar métodos de trabalho tidos como mais modernos.

Para se ter uma ideia do quão significativa é essa mudança por parte da diretoria palmeirense, basta citar os três técnicos que antecederam Abel Ferreira no comando do Verdão: Luiz Felipe Scolari, que dirigiu a equipe durante a conquista do Campeonato Brasileiro de 2018; Mano Menezes, contratado em 2019, mas demitido no mesmo ano após não conquistar nenhum título; e Vanderlei Luxemburgo. Três técnicos experientes, vitoriosos, com passagem pela seleção brasileira e que provavelmente ainda seriam muito bem-vindos em boa parte dos clubes da Série A. Mas não para o Palmeiras, cujas novas palavras de ordem são ousadia e ofensividade.