A data mundial de combate as hepatites foi lembrada na quinta-feira (28). Durante a semana, os setores de saúde foram mobilizados para prestar informações à população, já que milhões de pessoas no País são portadoras dos vírus B ou C e não sabem, segundo o Ministério da Saúde.
Isso porque é uma doença que, muitas vezes, não apresenta sintomas.
A hepatite é causada por vírus que levam a infecções no fígado, sendo mais comuns, no Brasil, os tipos causados pelos vírus A, B e C. O clínico geral e especialista em dependência química, Alcides Carlos Bocca, de Dracena, ressaltou que a preocupação maior é quanto aos casos de hepatite B, devido à facilidade de transmissão.
Ele explica que a hepatite B é transmitida, em sua grande maioria, através de relações sexuais desprotegidas, sendo considerada uma DST (doença sexualmente transmissível), e também ao compartilhar material para usar drogas (agulhas, seringas, cachimbos).
Há ainda uma particularidade: na hepatite B, independente de ocorrer uma cirrose, o quadro pode evoluir para um câncer, ao contrário do tipo C, ressalta o médico.
A probabilidade de transmissão da doença de mãe para filho, no tipo B, também é significativa e, aliada à falta de consciência da população sobre a proteção nas relações sexuais, aumenta os riscos da doença que se tornou uma preocupação em saúde pública.
“Por isso, é importante destacar que existe vacina contra a hepatite B disponível gratuitamente na rede pública para os jovens até 24 anos”, disse Bocca.
Os jovens entre 15 e 24 anos que ainda não tomaram a vacina contra a hepatite B devem procurar o Centro de Saúde Takashi Enokibara. Após receber as três doses, a imunização vale para a vida toda.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, no caso da hepatite B, apenas 30% dos portadores do vírus apresentam pele e mucosa amarelada, urina escura e fezes embranquecidas. Ou apenas febre, dor no corpo e de cabeça, o que pode confundir com uma simples virose.
Já a C é muito mais silenciosa levando pessoas a descobrirem a doença apenas quando ela está no estágio mais avançado.
HEPATITE C – O médico Alcides Carlos Bocca destacou que a transmissão da hepatite C ocorre principalmente pelo compartilhamento de material para usar drogas, embora numa porcentagem significativa dos casos não seja possível identificar a via de infecção.
O vírus da hepatite também pode ser contraído no salão de beleza ou no estúdio de tatuagem ou piercing, se o material não for corretamente esterilizado após o uso.
Por isso, Bocca orienta que haja muito cuidado nestes locais.
A transmissão por via sexual, no tipo C, varia de 1 a 3% dos casos, sendo pouco frequente. Segundo Bocca, o problema maior são as pessoas que têm múltiplos parceiros e não fazem uso do preservativo. Quanto a transmissão de mãe para filho, no tipo C, é bem rara e menos provável do que no tipo B.
Entretanto, a hepatite C não possui vacina. Bocca ressalta a importância do diagnóstico precoce da doença, recomendando que se há a suspeita de ter entrado em contato com o vírus, procure o posto de saúde para realizar os exames.
Conforme informações do Ministério da Saúde, quando começa a causar a lesão no fígado, a hepatite C é mais forte, leva mais a cirrose e também ao câncer de fígado, sendo uma das principais causas de carcinoma hepático e que quando chega nesse grau, a medicação não resolve e a única forma de tratamento seria o transplante hepático.
Dados da Secretaria de Saúde de Dracena, que consideram apenas os pacientes em tratamento na rede pública, registram em 2009 apenas dois casos de hepatite C, em 2010 também dois e este ano nenhum.
Na Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Presidente Venceslau, em 2009 foram seis, 2010 três e este ano, um caso de hepatite C.
TRANSPLANTES – Levantamento recente elaborado pelo Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini, órgão ligado a Secretaria de Estado da Saúde, aponta que dos 1,1 mil transplantes de fígado realizados pela equipe médica da unidade, cerca de 50% ocorreram em pacientes portadores de vírus da hepatite B ou C.
A pesquisa mostra que 430 transplantados portavam hepatite C, o que corresponde a, aproximadamente, 40% do número geral de transplantes. Pelo menos metade destes pacientes afirma não saber como contraiu a doença.
Já os infectados pelo tipo B chegaram a 8%, ou seja, 90 transplantados. Dos pacientes da unidade que estão inscritos na fila para transplante de órgãos, cerca de 50% convivem, ainda, com hepatite B ou C.
Em todo Brasil, a hepatite C é a maior responsável pela cirrose hepática e, por consequência, pelos transplantes de fígado. Por ser uma doença silenciosa – o período de incubação varia entre 10 e 30 anos – as pessoas demoram a tomar conhecimento da presença do vírus em seu organismo, que em 80% dos casos evolui para uma infecção crônica. Estima-se que no mundo uma a cada 12 pessoas seja portadora do vírus da hepatite C.
Os danos causados pela doença são irreversíveis e comprometem a produção de proteínas do sangue e a refinação dos alimentos absorvidos pelo intestino, funções vitais do fígado.
“A possibilidade do aparecimento de câncer no órgão também aumenta muito nas pessoas com cirrose. Quadros como estes é que levam o paciente a necessitar de um transplante”, diz o médico coordenador do transplante de fígado, Carlos Baía.
Além da vacina disponível gratuitamente na rede pública de saúde para combater a hepatite B, tomar alguns cuidados essenciais com a saúde podem evitar o contágio.
Os médicos hepatologistas da unidade listaram algumas dicas:
– Tenha práticas sexuais seguras. Somente o uso do preservativo garante proteção.
– Não compartilhe objetos pessoais como alicates e lâminas de barbear.
Na visita a manicure, leve seu próprio kit.
– Ao frequentar consultórios odontológicos, barbeiros e tatuadores, preste muita atenção na higiene com utensílios e produtos.
– Não aceite seringas e agulhas que não sejam descartáveis, em qualquer situação.














