A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) iniciou neste mês, a campanha nacional para abolir os andadores de bebês. A entidade encabeçada por mais de 16 mil profissionais de todo o País afirma que o equipamento é inútil para o desenvolvimento psicomotor de bebês e que seu uso pode causar acidentes sérios como traumas no crânio chegando a levar a morte.
Segundo informações do pediatra Antonio Carlos de Oliveira Biel, mais de 80% dos pais em Dracena utilizam o aparelho nas crianças devido à comodidade em que o andador oferece aos responsáveis. “A criança tem o livre acesso em andar em diversos lugares dentro ou fora de casa sozinha, este é um dos grandes riscos que o andador oferece.
Quando a criança começa a andar com o aparelho ela cria uma velocidade e pode causar acidentes domésticos como, por exemplo, bater a cabeça em quinas, cair de escada, chegar próximo a piscinas, se aproximam de fogões e muitas vezes nesses acidentes as crianças estão desacompanhadas dos pais”, diz o médico.
Biel pontua que ao contrário do que muitos pais pensam o andador não permitirá a criança a andar mais rápido, pelo contrário, ele atrasa o desenvolvimento de psicomotricidade (a criança demora mais para andar), porque deixa de estimular certos músculos, cria problemas no quadril e nos pés. “Nunca recomendo aos pais a usarem o andador. O intuito da SBP é acabar com essa recomendação mostrando as consequências que esse aparelho pode trazer, conscientizando os pais que o andador não tem vantagem nenhuma e leva risco para dentro de casa”, acrescenta o pediatra.
Outro grande problema é que muitos andadores vêm acompanhados de brinquedos que podem ser aspirados pelas crianças. O médico salienta que uma das medidas preventivas é colocar as crianças dentro dos cercadinhos, popularmente conhecidos como chiqueirinhos. “A criança precisa cair, levantar e se equilibrar sozinha, isso faz parte do desenvolvimento dela”, diz.
Até agora somente o Canadá conseguiu abolir a fabricação dos andadores no País, Biel acredita que a luta que a SBP está fazendo com a sociedade irá possibilitar criar uma emenda tentando também proibir a fabricação no Brasil.
Os dados que norteiam as ações da SBP são da Academia Americana de Pediatria que apontam dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade, provocados por acidentes com andador, todos os anos. Em um terço dos casos, as lesões são graves, geralmente fraturas ou traumas.
O pediatra afirma que por melhor das intenções que os pais podem ter ao usar o andador, quando a criança estiver pronta para andar ela fará naturalmente sem a necessidade de “estimular” com o utensílio.
VENDAS – Em lojas de brinquedos é possível encontrar o equipamento à venda. Segundo informações de uma loja do ramo no centro da cidade, o andador tem sido vendido bem nos últimos dias. O vendedor conta que são diversos modelos e marcas que podem ser usadas a partir dos oito meses ou quando a criança começar a querer andar.
A Farmais também confirma a procura pelo produto. “Sempre são os pais que vêm até a farmácia, acompanhados da criança para ver a regulagem do tamanho do andador e ver como a criança se comporta no aparelho”, acrescenta a vendedora Vanessa Alves de Andrade














