As cortinas do teatro se abriram e lá estavam eles, cada um em seu lugar, aguardando o sinal do maestro para começar o primeiro concerto da Orquestra Sinfônica Jovem de Dracena, que depois de várias mobilizações em anos anteriores a cidade, finalmente, acabava de formar. “Foi, sem dúvida, o momento mais marcante. Após a primeira música o público levantou e nos aplaudiu de pé; emocionante”, lembra o maestro Samuel Siqueira.
A apresentação ocorreu em 2007, durante a entrega da Comenda Cidade Milagre no Teatro Municipal de Dracena, ano em que a orquestra iniciou as atividades. De lá para cá, estudantes de música, professores, músicos, técnicos de bandas marciais e conjuntos da cidade e região encontram na Orquestra Sinfônica Jovem de Dracena uma oportunidade para aprimorar os estudos e conhecimentos musicais, objetivo para o qual foi criada.
Samuel Siqueira é o maestro desde aquela data e conta que ao longo destes quatro anos a orquestra já se apresentou pela região e também em grandes teatros, num total de 40 concertos, o que a tornou conhecida em nível de Estado. Isso, graças ao apoio do poder público iniciado pelo prefeito Junior Stelato e o secretário de Cultura da época, Luiz Zaniboni, que teve continuidade na administração de Célio Rejani e o atual secretário Ricardo Camuci, fator fundamental segundo o maestro.
Um dos eventos da orquestra que promete se tornar tradição na cidade é o Concerto de Inverno. No ano passado o tema foi Noites Brasileiras, quando os músicos se misturaram a um grupo de capoeira e, este ano, The Best of Beatles, ambos com boa presença do público no Teatro Municipal.
SOCIAL – Mas a proposta dos músicos vai além dos palcos e das grandes plateias. Eles também levam a beleza dos sons até ambientes pouco melodiosos como as salas de um hospital. A iniciativa começou pelo setor de hemodiálise da Santa Casa de Dracena e deixou tanto a diretoria como os pacientes e músicos satisfeitos com os resultados. “A música é uma arte diferenciada, que age em dois sentidos, tanto para quem executa os instrumentos quanto para aqueles que aplaudem”, comentou Samuel.
Em parceria com o Cras – Centro de Referência da Assistência Social, instalado no Jardim Brasilândia, grupos menores da orquestra já tocaram para os moradores dos bairros, como por exemplo, os do conjunto Paulo Vendramini 2.
FORMAÇÃO – A Orquestra Sinfônica Jovem de Dracena é composta por cerca de 30 integrantes que tocam violinos, violas de arco, violoncelos, contrabaixo acústico, piano, flautas, clarinetes, saxofone, trompetes, trompas, trombones, tuba e percussão. São dois ensaios semanais de naipes, com duração de duas a três horas, e um ensaio geral de uma a três horas. Periodicamente são feitos testes para admissão de novos músicos.
ALTO NÍVEL – O maestro Samuel Siqueira destacou que uma das metas da orquestra é contribuir para a profissionalização dos músicos da região, o que já está acontecendo. “Há vários músicos de alto nível formados aqui, que já tocaram na orquestra e foram para outros estados, como por exemplo, Paraná, Mato Grosso do Sul, ou ainda outros que saíram para estudar em Tatuí. Estamos dando um grande passo. A orquestra é um sonho realizado e como aquele que acompanhou o processo desde o início, tenho a sensação de dever cumprido”, ressalta.
Samuel veio para Dracena em 2005, quando foi inaugurado o polo do Projeto Guri na cidade, onde trabalhou até setembro de 2008, como professor e regente. Com a formação da orquestra, passou a atuar como maestro, trabalhando para a valorização dos músicos da região.














