A Associação de Voluntários ao Paciente com Câncer (Avapac) completou recentemente 15 anos de trabalhos em Dracena. Atualmente são mais de 400 pacientes cadastrados, sem contar aqueles que já receberam alta ou faleceram. Cerca de 80 desses pacientes estão em tratamento como quimioterapia, radioterapia, cirurgia. Outros estão em manutenção há quase dez anos.
A presidente da Avapac, Cleuza Cavalari Storto, conta que a ideia começou quando um morador da cidade que fazia tratamento em Jaú no Hospital Amaral Carvalho resolveu junto a um grupo de mulheres do Rotary a criar um grupo para dar apoio às pessoas com câncer na cidade.
“O paciente recebia todo tratamento adequado no hospital em Jaú como medicamentos, radioterapia, quimioterapia e alimentação adequada e, quando retornava para a cidade de origem percebia a falta de não ter algo para dar continuidade e muitas vezes acabavam morrendo por abandono e nem tanto pela doença”, revela Cleuza.
Para sanar esse problema foi criado em 28 de setembro de 1997, o ‘Grupo de Voluntários de Apoio ao Paciente com Câncer’, presidida por Mariza Cortezzi Buccirone, que colabora, desde então, como uma das voluntárias. Após dois anos de trabalhos passou a ser chamada de Associação.
A Avapac conta com a participação de 60 voluntárias e mais as colaboradoras, sendo a maioria composta por mulheres que vão apenas uma vez por semana para ajudar a montar as cestas de alimento distribuídas aos pacientes em tratamento. Os alimentos são fornecidos semanalmente pela Conab e Jaciporã. O Laticínio Trevisan repassa para entidade os derivados de leite que são doados as famílias toda quarta-feira, e uma vez por mês através de renda própria é distribuído cesta básica a esses pacientes. As colaboradoras também ajudam nos trabalhos de artesanato como bordados e costura que são vendidos na sede da Associação.
Cleuza conta que apesar de receber mensalmente ajuda de doações da população, promoções e de recursos repassados por órgãos públicos e clubes de serviços, a maior fonte de renda da Avapac é o brechó permanente, instalado em frente à associação. “As despesas com medicamentos dos pacientes em tratamento são enormes, entretanto há parcerias com algumas farmácias do município que na hora de comprar um medicamento dão um bom desconto. Há também os suplementos alimentares e fraldas infantis e geriátricas, que tem elevado custo”, diz.
A maior dificuldade enfrentada foi em relação ao transporte. “Quando surgiu a Associação um dos meios de locomoção era o trem. O paciente chegava de madrugada e acabava dormindo na praça em Jaú porque não tinha onde se alojar e só depois iria para o hospital. Quando acabou o transporte de trem, a Associação ficou perdida por não ter outro meio e contratou uma Van”, desabafa a presidente.
Hoje, a Avapac tem carro próprio e recebe a ajuda da Prefeitura através do consórcio Intermunicipal de Saúde, formado por 10 prefeituras, que custeia os ônibus que transportam três vezes por semana os pacientes em tratamento para o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú. Este hospital, que está entre os 10 melhores do país, vai completar 100 anos em 2015 e desde a década de 70, tornou-se o principal centro oncológico do interior de São Paulo, recebendo pacientes de 400 cidades brasileiras e até de países da América do Sul.
A Avapac só atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que após receber o diagnóstico através de exames são encaminhados pelo médico para dar suporte ao tratamento. Aqueles que possuem plano de saúde não podem ser atendidos.
A entidade funcionou por nove anos em prédio cedido pela família Dansieri, do Grupo Coimma, na rua Tiradentes. Com a ampliação de atividades foi alugado em 2005 um imóvel na avenida Presidente Roosevelt, onde atendeu até agosto de 2011. No ano passado, foi inaugurada a sede própria que também conta com um salão de festas para gerar mais recursos para a manutenção da entidade. Além disso, a Avapac possui um terreno com saída para a rua Amazonas. “Tudo é fruto de economia com aluguel nos primeiros anos de existência e doações”, acrescenta a direção.
DOENÇA – Cleuza salienta que a maior incidência de câncer no homem é o de próstata e na mulher o da mama e problemas no intestino.
PROMOÇÕES – Para ajudar a arrecadar renda, várias promoções são promovidas ao longo do ano, entre elas, a tradicional Bacoalhada que acontece há 13 anos, em junho, na Pousada Bom Samaritano. Outro evento é o Torra-Torra que acontece duas vezes ao ano com vendas de ponta de estoque de empresas da cidade. Há também o Leilão de Gado que ajuda a Fundação Amaral Carvalho de Jaú e mantém a Avapac e outras Ligas de combate ao câncer.
E para fechar o ano, está sendo preparado para o próximo dia 15, o evento “Show de Prêmios”, na Praça Arthur Pagnozzi, às 10h. O convite custa R$ 10, para concorrer a dez prêmios, sendo eles: carro e moto 0 km; TV 42 polegadas; notebook; tablet; geladeira; máquina de lavar roupas; câmera fotográfica; fogão e bicicleta.
Os moradores de Dracena e região poderão ajudar na construção da Casa de Apoio Feminina do Hospital Amaral Carvalho que terá capacidade para acomodar 80 pacientes em tratamento. Os convites estão sendo vendidos na Avapac e nas Casas de Apoio da região; 10% da renda adquirida com as vendas dos convites serão destinadas as Casas de Apoio que estão ajudando com as vendas.
Além de doações informais, a população ajuda através dos carnês mensais com a quantia mínima de R$ 5. Cada voluntário que trabalha na Avapac tem um carnê para contribuir e ajudar nos gastos mensais.
SERVIÇO – A Avapac está na avenida Alcides Chacon Couto, n.° 684, de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h. Informações pelo telefone: (18) 3821-6686.














