Durante a semana, aos 84 anos, faleceu Armando Marques, talvez o mais famoso e excêntrico árbitro de futebol da segunda metade do século XX. Figura polêmica, notabilizou-se por seus enfrentamentos com os grandes craques e por erros que influenciaram o resultado de várias partidas. Duas elas se relacionaram a jogos entre Santos e do São Paulo, pelo Paulistão. O responsável por este espaço, à época, era repórter de campo de uma rádio de Bauru e foi o primeiro a entrevistá-lo em jogos no interior, conforme depoimento do mesmo (gravado) à tevê Record.
Atropelou a matemática
Comprovadamente, o árbitro mais comentado do futebol brasileiro, no período, Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques acumulou histórias de todo tipo. Uma delas na decisão do Paulistão de 1973. Quase 120 mil pessoas no Morumbi, em campo Santos e Portuguesa. O empate de 0 a 0 levou a disputa para os pênaltis. O Santos fez três cobranças e converteu duas; a Lusa errou as três. Marques confundiu-se e deu a série por encerrada, quando a Portuguesa ainda tinha a chance, embora pequena, de empatar.
Troféu dividido
O historiador João Francisco Tidei Lima conta, em um de seus artigos, que os santistas começaram a festejar o título, mas os jogadores da Lusa, orientados pelo experimentado treinador Otto Glória, deixaram rapidamente o campo e o estádio do Morumbi. Quando Armandinho percebeu o erro e tentou forçar o retorno, era tarde demais. No dia seguinte, a Federação Paulista de Futebol declarou as duas equipes campeãs.
Fugiu da raia
Outra envolvendo Armando Marques aconteceu no Paulistão de 1963. Pacaembu lotado, candidato ao título, o Santos enfrentava o São Paulo que tinha um ataque humilde, formado por Faustino, Cecílio Martinez, Pagão, Benê e João Sabino. O tricolor não respeitou o rival e foi marcando. Lá pelas tantas, Pelé e Coutinho reclamaram contra a arbitragem de Armandinho que, imediatamente, expulsou os dois. Logo em seguida, recebendo ordens da comissão técnica, três jogadores do Peixe caíram no gramado e pediram para sair. Era um tempo em que não havia substituição, nos jogos oficiais. Então, reduzido a seis jogadores, o Santos teve que deixar o campo e o São Paulo festejou a goleada.
Não era “la mano de Diós”
Em 1971, São Paulo e Palmeiras chegaram à decisão do campeonato paulista. Os tempos eram outros e os arquirrivais possuíam times recheados de craques. Dono de melhor campanha, ao longo do torneio, o tricolor só precisava do empate. Mas saiu à frente do Palestra. Desesperados, os palmeirenses foram com tudo contra os adversários e Leivinha empatou. No entanto, Marques anulou o gol, alegando que Leivinha havia usado a mão.
Educação era tudo
Outra característica de Armando era abordar os jogadores, chamando-os de senhor e nunca citando seus “nomes de guerra”. Assim, Pelé sempre foi senhor Edson; Coutinho, sr. Wilson Honório; Zito, senhor José Eli; Leivinha, senhor João Leiva; Pagão, sr. Paulo César; e assim por diante…
Prometeu e cumpriu
Carioca, Armando Marques também conduziu grandes clássicos dos campeonatos de seu estado. Num deles, após muita confusão, expulsou o famosíssimo lateral esquerdo Nilton Santos que defendia o Botafogo. O bicampeão mundial, falecido recentemente, avisou que bateria em Marques, antes de encerrar a carreira. E executou a sentença.
Futuro sombrio
O presidente José Maria Marin iniciou a reformulação (sic) da seleção brasileira. E começou com a designação do ex-goleiro Gilmar Rinaldi que diz ter encerrado sua carreira de agente de jogadores, um dia antes de ser anunciado para a fundação de coordenador. Ontem, circularam rumores de que Dunga pode voltar a dirigir a seleção. É trocar seis por meia dúzia…
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