Diz a lenda que as sereias ficavam em alto mar, porém perto de rochas submersas e com seu lindo canto atraíam os marinheiros, que acabavam batendo seu navio nas rochas e afundando. Às vezes, acontece de pessoas se sentirem atraídas por planos mirabolantes e não se darem tão bem como gostariam.
Talvez seja esse o caso dos empresários que pensam em deixar Dracena para pleitear terrenos na cidade vizinha, achando que ali tudo vai se resolver como num passe de mágica, mas não é bem assim. A caminhada é longa e vai desde a transformação de área rural em urbana, licitação para implantar a rede elétrica, providenciar toda a infraestrutura: abertura das ruas, identificação dos lotes, guias de sarjeta, rede de água, rede de esgoto, rede de captação das águas de chuva e mais uma dezena de providências. E isso tudo leva tempo, muito tempo.
O primeiro distrito industrial de Dracena, criado há mais de duas décadas, atrás da empresa Aoki, não tem ainda sua situação regularizada, o que só agora está sendo feito. Por isso, o prefeito Pedretti optou por trocar o terreno junto a Unesp, que não tinha nem início de infraestrutura, por um prolongamento daquele primeiro distrito industrial que já tem a baixa do Incra e toda a infraestrutura bem próxima. Os trabalhos de guias de sarjeta, asfalto, e rede de esgoto já se encontram em processo de licitação. O que o prefeito quer é dar segurança àquele que ali for se instalar, de modo que não se sinta prejudicado por falta de documentação, ou de benfeitorias imprescindíveis à sua atividade.
No ano passado, não houve o progresso necessário na implementação dessas melhorias porque o orçamento não previa verba para esse fim, mas este ano a previsão é o suficiente para que se dê andamento a esses trabalhos até a sua finalização e possa haver nova inscrição, agora com terreno já liberado de qualquer entrave. É obvio que não vai agradar a todos, até porque nessa área só poderão se instalar indústrias e não comércio, como pretendiam fazer perto da Unesp, onde das 32 empresas cadastradas, apenas 11 eram para instalação de indústrias e 21 para depósitos do comércio.
A possibilidade dos terrenos da área industrial de Dracena ficarem prontos, antes daqueles ofertados na cidade vizinha, é imensa e, possivelmente, quem está com muita pressa e for procurar essa saída não se sairá tão bem e terá que se munir de toda paciência para esperar a tramitação de documentos e licitações, uma vez que na administração pública há procedimentos dos quais não se pode fugir.
Não é interessante para nenhum empresário empregar grandes somas na construção de suas indústrias, enquanto não tiver em mãos toda a documentação que lhe garanta a posse legal do terreno. A pessoa corre o risco de perder tudo. A pressa não é boa conselheira, e o que deveria ser motivo de alegria, pode se tornar um rosário de dores de cabeça. Lembrando, ainda, que se a pessoa quiser levar os funcionários, moradores de Dracena, em ônibus próprio, deve saber que todo tempo gasto no percurso de ida e volta contará como hora trabalhada e, em qualquer acidente que ocorra nesse trajeto a responsabilidade será do empregador. Talvez tenha faltado diálogo com a administração. Se houve algum, não foi suficiente.
Se meditarem bem, esses empresários verão que só têm a perder. São dracenenses que deixariam de prestigiar sua cidade devido a caprichos políticos. Não percebem que os governos passam e o prejuízo que estão arrumando para si pode durar pela vida toda. É salutar um pouco de reflexão para não caírem no canto da sereia.
Até quarta-feira
-Dracena-
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