A vida entrou numa fase interessante em que quase tudo que se faz é guiado por pesquisas. Há pessoas que acreditam estar no caminho certo porque, afinal, estão acompanhando a maioria e “a maioria é a voz do povo” e “a voz do povo é a voz de Deus”. Acontece que as agências de pesquisas e os marqueteiros de plantão, sabedores dessas crendices populares procuram levar o povo para o lado que lhes for mais lucrativo.
Nove entre dez estrelas de cinema preferem este sabonete. Será? Tal político tem tanto por cento das intenções de votos. Será? A inflação subiu tanto por cento. Será? E vai por aí a fora. Tudo se apresenta ao público em forma de pesquisa. Talvez até haja algumas pesquisas sérias, bem feitas, mas a imensa maioria é uma forma safada de induzir a população a fazer, comprar ou acreditar em alguma coisa.
Pesquisas que deveriam ser muito sérias, como os recenseamentos populacionais, aqui mesmo em Dracena, mostraram que de sérias e corretas têm muito pouco. Quem conhece a cidade sabe da sua pujança. Seu crescimento é coisa que salta aos olhos. Bairros inteiros, condomínios, surgem e se enchem de casas em tempo recorde e o último censo deu uma diminuição drástica na população. Ora, quem ocupa todas essas casas construídas nesses últimos 10 ou 15 anos? Fantasmas?
Mas, a quem interessa diminuir o número de moradores de uma cidade? Entre outros, o governo. Afinal, ele manda recursos para as cidades de acordo como o número de habitantes. Menos gente, menos dinheiro enviado. Aos poucos, vai-se descobrindo a pouca seriedade das pesquisas e de seus programadores.
Outro dia, um dos institutos de pesquisa de maior credibilidade do país, o IPEA (instituto de pesquisa econômica aplicada) publicou que foi às ruas verificar costumes, tendências e opiniões da população em relação à Tolerância Social à Violência contra as Mulheres. Pelo jeito, todos os caciques do Instituto haviam ido à praia (e veja que, segundo publicação, eles ganham a bagatela de 13 a 19 mil reais cada um) e deixaram a gurizada descompromissada para se virar com a tal pesquisa.
Como foi feita e se foi feita não se sabe. Mas apresentaram um resultado que revoltou todo aquele que leu. Segundo a “pesquisa”, 65,1% dos entrevistados “concordam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Pronto! Mexeram num vespeiro. Revolta geral. O que é isso? O Brasil virou o Afeganistão? Daqui a pouco vão querer que as mulheres usem burca, aquela vestimenta que só deixa os olhos de fora.
A revolta foi parar nas redes sociais que mostraram indignação total. Não se falou em outra coisa. Há ainda um resquício de machismo na população brasileira, mas pertence, em sua maioria, a homens e mulheres de idade avançada e ignorância idem. Após a reação, o IPEA voltou atrás e disse que haviam cometido um erro. Que essa porcentagem não se referia a esse item, mas a outro. Esse desmentido deixou a situação muito pior!
Ora, não havia ninguém para conferir esses resultados antes da publicação? Como é que uma pesquisa, que dizem ter sido feita em todas as capitais do país, é publicada sem uma revisão? Quanto foi gasto na sua realização? Será que esses pesquisadores vão achar que alguém ainda dará crédito ao que eles disserem? Podem ir procurando um outro meio de “enrolar” o povo para conduzi-lo a pensar ou fazer determinada coisa. Pesquisa, talvez, não dê mais!
Até quarta-feira
-Dracena-
therezapitta@uol.com.br














