É difícil atinar com um evento que tenha deixado, no país em que se realizou, o sentimento de saudades que esta copa do mundo deixará no Brasil. O futebol é um esporte que é apreciado por pessoas de todas as classes sociais e que todo mundo acha que entende e, portanto, aprecia e emite opiniões a respeito. Por isso ele é tão popular e arregimenta tantos fãs porque todos se sentem especialistas no assunto.
Há outros esportes que atraem muitas pessoas, como as corridas de Fórmula Um, de esportes no gelo, mas geralmente são elitistas e o “povão” não se encontra à vontade nesses ambientes de tanto luxo, além de que são muito caros e, portanto, ficam reduzidos a grupos específicos.
Mas o futebol não. Qualquer objeto que se assemelhe a uma bola é o suficiente para que algumas crianças partam para um joguinho de futebol. Por isso ele é considerado, talvez, o mais democrático dos esportes. E aqui no Brasil ele se aclimatou muito bem. E o que é melhor, essa copa realizada aqui fez prodígios! Expandiu o sentimento de brasilidade para o sentimento de americanismo. De todos os países da América vieram pessoas para o Brasil. Encantaram-se com os brasileiros, com as paisagens, com as comidas típicas e com o tratamento que receberam aqui.
Com exceção dos americanos do norte, e do Brasil, os outros povos das Américas usam a língua espanhola. Esse era um fator para afastar os brasileiros de todos os outros povos. Mas com a invasão dos estrangeiros em quantidade jamais vista, constatou-se que essa tênue diferença entre o português e o espanhol não foi empecilho para uma maior convivência.
Foi maravilhoso quando anunciaram que cerca de 70 mil chilenos rumavam para cá para incentivar sua seleção. Nos estádios, em dia de jogo do Chile, eles ocuparam a maioria dos lugares. E vibraram, e cantaram, exaltando seu patriotismo nunca tão vivo. O mesmo se tem dado com a Argentina. A rivalidade sadia com o Brasil se transformou em um bem-querer mútuo, em que muitos torcem para uma final ou uma semi-final entre argentinos e brasileiros. Ninguém hostiliza ninguém. Ao contrário, aqui as nações se tornaram solidárias como nunca.
Para um jogo da Argentina em Brasília havia tanto argentino que o governador precisou providenciar uma área ampla dotada de banheiros químicos, chuveiros, eletricidade e tudo o mais para que eles pudessem acampar com dignidade e segurança. Essas providências tornaram a longa viagem empreendida por eles num passeio inesquecível. Ganharam novos amigos, ganharam uma nova pátria. Como eles dizem: somos todos americanos!
É pena que alguns brasileiros, de cabeça ruim, perderam essa enorme oportunidade de se divertirem devido a bobagem de achar que não se deveria fazer a copa no Brasil devido aos gastos. Segundo eles, esse dinheiro deveria ser gasto na construção de hospitais e escolas. Ora, faz exatamente 64 anos, isto é, 16 copas, que não há Copa do Mundo no Brasil. Por que não usaram o dinheiro dessas 16 copas para fazer os tais hospitais? Tinha que ser desta?
O importante é que houve um estreitamento de relações com todos os outros povos e dos sul-americanos tornamo-nos verdadeiros irmãos. Fizemos a felicidade de muita gente e ficamos felizes. Que venham outras copas, olimpíadas e que continuem trazendo muita alegria!

Até quarta-feira
– Dracena –
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