Ontem (11) à tarde, Abel de Souza, professor substituto, de 62 anos, casado, pai de dois filhos, residente em Adamantina, que alega ter sido agredido na sala de aula na terça-feira (9) à tarde, por um aluno de 14 anos, da 6ª série, da EE Geraldo Pecorari, foi ouvido no distrito policial de Junqueirópolis, pelo delegado Victor Cangane Biroli. Ele disse que confirmou a autoridade policial a agressão sofrida, atitude do aluno e mostrou as marcas que ficaram nas mãos, nos braços, ombros e no peito provocadas pela agressão.

Após o depoimento de uma hora, o professor passou por exame de corpo de delito no IML de Dracena. O exame vai indicar o tipo de lesão que ele sofreu. 

O professor esteve ontem à tarde, no Jornal Regional acompanhado do sargento Rocha, amigo dele. Abel disse que as agressões ocorreram durante a segunda aula de história, pelo aluno que estava transtornado, falando alto e gritando. Segundo ele, por causa deste comportamento, chamou a atenção do aluno e solicitou para que saísse da sala de aula. De acordo com o professor, após fechar a porta, o aluno voltou e partiu para cima dele, xingando-o e depois o desferiu um soco. Abel ressaltou que foi jogado no chão pelo agressor que lhe dava chutes e ponta pés. Ele contou que por causa disso acabou perdendo os óculos, o tênis e outros objetos. “Não cheguei a desmaiar, mas fiquei meio atordoado e sem saber o que estava acontecendo”, declarou o professor. Abel disse ainda que ficou abismado com tudo isso, muito humilhado e constrangido já que após a agressão ficou no chão sem ninguém prestar socorro. 

“Nem a direção da escola me socorreu, fui a pé até a Santa Casa e meia hora depois liguei para o 190, mas ninguém veio”, explicou o professor. 

Abel reclamou que ficou chateado com a atitude da direção da escola, cujo responsável mostrou desinteresse. 

O professor declarou ao jornal que está há 31 anos na profissão de professor de história e inclusive já é aposentado, nunca aconteceu coisa desse tipo com ele. “Estou frustrado e me sinto humilhado e constrangido. Jamais esperava que um aluno de 14 anos fizesse isso e até agora não consigo entender. Quero que este aluno seja responsabilizado pelo ato que cometeu”, contou o professor agredido que também é integrante do Conselho Estadual do Centro do Professorado Paulista (CPP) de São Paulo. 

Abel disse que por causa da agressão o braço esquerdo dele está travado e, com isso, não conseguiu dirigir até Dracena, tendo que ser ajudado pelo amigo. 

No exame de corpo de delito feito no professor Abel consta que ele teve escoriações e lesões corporais de natureza moderada. 

Ontem à tarde, a reportagem tentou ouvir a direção da escola onde ocorreu a agressão, mas foi informada de que ela não poderia dar mais declarações e, que as informações poderiam ser concedidas pela assessoria da Secretaria de Educação em São Paulo. A reportagem ligou para o telefone da Secretaria, mas o responsável estava ocupado e não deu retorno até o final da tarde.