Um homem de 53 anos morreu na madrugada de sábado (25) no Pronto-Socorro de Araçatuba (SP), enquanto aguardava transferência para a Santa Casa.

O boletim de ocorrência, registrado pela esposa do paciente nesta quarta-feira (28), denuncia suspeita de negligência médica. De acordo com o registro policial, Luciano Alex Pereira buscou atendimento na tarde de sexta-feira (24) com dores no peito, náuseas e tontura. A Secretaria Municipal de Saúde, por sua vez, diz que o Pronto-Socorro seguiu as regras para formalização dos pedidos de transferência.

Após uma série de exames, os médicos constataram alteração nas enzimas cardíacas de Luciano e a possível necessidade de um cateterismo. Em depoimento à polícia, a esposa de Pereira relatou que o marido a mantinha informada por meio de um aplicativo de conversas, mas ele parou de responder às mensagens após as 00h40.

Luciano Alex Pereira morreu em Araçatuba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Luciano Alex Pereira morreu em Araçatuba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Ainda conforme o relato, a mulher afirma ter sido impedida pela equipe de ver o marido. De acordo com o BO, Luciano morreu às 03h50 de sábado, vítima de insuficiência respiratória aguda e dor torácica, antes de ser encaminhado à Santa Casa da cidade.

Em nota à TV TEM, a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) informou que o pedido de transferência para o setor de cardiologia foi inserido no sistema às 0h31, com suspeita de infarto agudo do miocárdio.

Luciano Alex Pereira morreu em Araçatuba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Luciano Alex Pereira morreu em Araçatuba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Conforme a Central, no momento da solicitação, não havia registro de instabilidade hemodinâmica ou respiratória, e a priorização das solicitações é realizada com base nas informações clínicas registradas e atualizadas pela unidade solicitante.

“A Cross ressalta que as unidades de origem são responsáveis pelo preenchimento e pela atualização das fichas dos pacientes no sistema de regulação, bem como pela realização do transporte seguro e adequado durante as transferências”, conforme consta na nota.

Pronto-Socorro Municipal de Araçatuba (SP) — Foto: TV TEM/ Gustavo Torrente

Pronto-Socorro Municipal de Araçatuba (SP) — Foto: TV TEM/ Gustavo Torrente

O que diz a equipe do Pronto-Socorro

Recentemente, a família de Silvia Maria Domingues Francischini denunciou suspeita de negligência médica após ela aguardar durante três dias no Pronto-Socorro de Araçatuba por uma transferência para a Santa Casa. Pouco depois de chegar ao hospital, a mulher não resistiu.

Em 14 de julho, o irmão de Esther Aparecida Ramos De Oliveira Santos denunciou à polícia uma possível negligência médica. Segundo ele, a irmã passou por atendimento oito vezes na rede pública de saúde em Araçatuba. O óbito da paciente foi confirmado em 9 de julho.

Em entrevista à TV TEM, Leonardo Betim, responsável pela gestão do serviço no Pronto Socorro Municipal, esclareceu que os casos de maior complexidade devem ser encaminhados a um hospital referenciado em um prazo de 24 h, conforme determina a legislação. Segundo ele, nas três situações mencionadas pela reportagem, o prazo foi respeitado.

“O papel do pronto-socorro é dar um desfecho para esses casos de maior complexidade em até 24h. E, nesses casos, foram feitos”, explicou.

Leonardo Betim, responsável pela gestão do serviço no Pronto-Socorro de Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução / TV TEM

Leonardo Betim, responsável pela gestão do serviço no Pronto-Socorro de Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução / TV TEM