O Plano de Reestruturação do Transporte Coletivo de Presidente Prudente, apresentado em audiência pública na Câmara Municipal, na tarde desta quinta-feira (18), propõe a implantação de um corredor exclusivo de ônibus na Avenida Manoel Goulart.
A medida visa a criar uma faixa no corredor central da via, uma de ida e uma de volta, exclusivamente para o transporte coletivo. Os abrigos e pontos de ônibus nesta via deverão ser instalados no canteiro central.
Segundo o secretário municipal de Assuntos Viários e Cooperação em Segurança Pública, Oswaldo de Oliveira Bosquet, esse corredor exclusivo é uma sugestão levantada que deverá ser analisada. “Vamos analisar e orçar essa proposta para ver a viabilidade disso e daí verificar e fazer uma solicitação de verba para a realização do projeto”, contou.
“Se for entendido necessário, o corredor exclusivo deverá ser implantado em dois espaços: da Avenida Brasil até a Avenida Celestino Figueiredo e da Celestino Figueiredo até o Parque do Povo”, informou Bosquet.
“Caso seja implantado, será aberto um processo licitatório, baseado no projeto apresentado, para a realização do plano que irá mudar o conceito do transporte público no município”, informou o secretário municipal de Planejamento, Laércio Alcântara.
‘Espinha dorsal’
A Manoel Goulart será a “espinha dorsal” do transporte coletivo de Presidente Prudente. Para que a reestruturação seja feita completamente, serão necessárias três etapas a serem implantadas de forma gradativa.
A primeira intenção do plano de reestruturação é fazer o melhor transporte com menos custo. “Quem leva a população na porta de casa é táxi, o transporte coletivo, o próprio nome já diz, precisa atender à população em geral, não só as necessidades de pequenos grupos de pessoas”, disse o arquiteto e urbanista Edson Marchioro, responsável pela empresa que leva o seu nome, com sede em Caxias do Sul (RS), e que foi contratada pela Prefeitura de Presidente Prudente para realizar o plano.
A proposta é criar um modelo novo chamado de “tronco alimentador”, que são linhas que passarão a funcionar percorrendo a cidade por fora e não mais nos sentidos bairro-Centro e Centro-bairro, que levarão a população para quatro terminais nas zonas norte, sul, leste e oeste e que distribuirão os munícipes para os locais onde desejam ir. “As pesquisas que nós fizemos mostram que o plano atual precisa ser mudado”, afirmou Marchioro.
A segunda etapa abordará os deslocamentos urbanos de Presidente Prudente e levará em consideração a hierarquia viária do município, dividida em três eixos: adequação da estrutura urbana, qualificação da operação e qualificação do serviço.
Já a terceira etapa tratará sobre o sistema integrado do transporte coletivo, que abordará as linhas coletoras que ligam os terminais aos principais eixos de articulação e o sistema alimentador, que são as linhas responsáveis para trazer os passageiros das regiões periféricas até os terminais que façam a integração física e mudem de ônibus para não precisarem ir ao Centro da cidade, com o intuito de reduzir o tempo de viagem.
O Plano de Reestruturação do Transporte Coletivo mostrou que hoje a cidade tem um modelo radial, que se resume em bairro-Centro e Centro-bairro, e que tem a necessidade de mudar.
Conforme o arquiteto e urbanista Edson Marchioro, responsável pela empresa vencedora do certame licitatório para elaborar o plano, a pesquisa foi realizada dentro e fora dos ônibus, nos embarques e desembarques, e mostrou que 80% das pessoas que pegam ônibus passam pelo Centro obrigadas, sendo que somente 20% realmente precisariam ir ao Centro.
“Pretendemos implantar uma integração física e tarifária para aquelas pessoas que para realizar o seu percurso precisem utilizar de dois a três transportes. Para não pagar mais de uma vez a tarifa, pagarão uma vez só”, disse Marchioro.
“Hoje temos uma malha bagunçada e o projeto vem para organizar isso passo a passo. Na cidade nunca houve um estudo ou pesquisa aprofundada sobre a estrutura do transporte coletivo. É um marco muito importante para a cidade de Presidente Prudente”, disse Laércio Alcântara.
“O sistema será implantado. Toda a questão das linhas alimentadoras e terminais será realizada, pois, se o transporte coletivo não for adequado, a cidade vira um caos. A partir de janeiro, faremos a estruturação desse estudo para dar início ao processo licitatório”, explicou Bosquet.
“Este plano é muito interessante e vislumbra a cidade para os próximos 30 anos. É um projeto arrojado, que irá beneficiar toda a população. Hoje a malha de linhas é toda remendada, por isso, eu apoio essa reestruturação e acredito que a população será muito beneficiada com isso”, disse José Ricardo Gois, coordenador do Centro de Controle Operacional (CCO).
Na quarta-feira (17), a Câmara Municipal sediou uma outra audiência pública, em que foi apresentado oPlano de Mobilidade Urbana de Presidente Prudente.
‘Novo modelo’
“Isso será feito por etapas não só por conta dos recursos, mas também por uma questão de acostumar a população com o novo modelo. Essa reestruturação do transporte coletivo exige um investimento a curto, médio e longo prazos”, disse Marchioro.
Conforme Bosquet, a construção de todas as obras viárias e a implantação dos quatro novos terminais estão incluídas nos R$ 35 milhões previstos para investimentos através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), sendo R$ 31,5 milhões do governo federal e R$ 3,5 milhões da Prefeitura. “Já os demais projetos apontados pelo plano serão analisados e, caso sejam aceitos, serão aberta novas licitações”, informou.














