Ontem (3) foi comemorado o Dia Internacional do Deficiente Físico. Na cidade, a Associação da Pessoa com Deficiência Física de Dracena – Superando Limites (Adef – Suli), fundada em 2006, atende 21 associados com deficiências locomotoras (que podem ser doenças congênitas ou acidentes que os tornaram paraplégicos ou tetraplégicos, também os que têm sequelas de acidente vascular cerebral e de paralisia infantil).

Todos participam de atividades, como o artesanato e o Projeto Bem-Estar, voltado ao esporte e socialização, com aulas de natação, musculação (condicionamento físico) e música (violão e teclado). 

A presidente da entidade Solange Gomes Pinho Dellovo explica que o projeto foi viabilizado graças às parcerias com as academias Corpo de Mulher e do Bandeira, Escola de Música Villa Lobos e a verba disponibilizada pelo vereador Ademir Ussifati. 

Os exercícios físicos são acompanhados pela educadora física Érica Vendramin.  Antes, porém, todos foram avaliados pela médica fisiatra (especialista que cuida de deficiente físico) do AME. 

A presidente ressalta que além da prática de atividade física, o Projeto Bem-Estar proporciona a convivência com outras pessoas, a socialização dos deficientes. “Na maioria das vezes, eles ficam reclusos em suas casas ou na própria entidade, que por meio de parceria funciona em duas salas na sede da Avahu. É uma oportunidade do deficiente se conhecer, ver o que gosta de fazer ou não, se desenvolver”, diz. 

Eles também participam de palestras e de reuniões mensais de confraternização com familiares. 

Segundo Solange, as principais dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência ainda são o transporte (veículos adequados) e a acessibilidade (moradias, calçadas, escadas, estabelecimentos que não estão adequados para o ingresso comerciais, entre outros). “Às vezes, as pessoas são simpáticas aos deficientes, mas não têm empatia, não se colocam no lugar deles. Se fizessem isso, mudariam pequenas atitudes do dia-a-dia, como não estacionar nas vagas reservadas, não colocar objetos nas calçadas”, comenta.

Outro problema a ser superado diz respeito a viabilidade de se tratar em Centros de Reabilitação renomados, como o Sarah Kubitschek, em Brasília e Lucy Montoro, na capital paulista.

Solange considera que apesar do tratamento totalmente gratuito, os pacientes que não têm parentes, ou conhecidos têm que se manter em hotéis, pensões, ou seja, precisam de um suporte financeiro, além da dificuldade do deslocamento (veículo adaptado, tempo de viagem, custos, etc.) e do processo burocrático. “Quanto mais rápido se tiver acesso a um Centro de Reabilitação, mais rápido será a recuperação. Lá, eles aprendem a ganhar autonomia, independência dentro de suas possibilidades,   participam do treinamento de atividade de vida diária, são ensinados a prestar mais atenção em sua saúde e possíveis mudanças”, relata. 

Apesar das barreiras e pedras no caminho, Solange acredita que há motivos para se comemorar a data uma vez que os deficientes são amparados por leis, secretarias, conselhos, também estão inseridos no esporte e no mercado de trabalho e cita o exemplo dos paratletas Alexandre Fernandes (bronze em Guadalajara) e Karla Berni (ouro nos Jogos Regionais), na natação. “O olhar da sociedade mudou”, aponta. 

As palavras de Solange devem ser consideradas. Sua luta para melhorar a vida do deficiente físico tem 26 anos, a idade de sua filha Cristiane, que é cadeirante.

SERVIÇO – Informações, sugestões e doações podem ser feitas pelo (18) 3821-5429 ou pelo e-mail: adefsuli@hotmail.com