A queda dos juros bancários, estimulada pelo Governo Federal para aumentar o consumo, ainda não refletiu na comercialização de carros novos e usados, um dos setores mais importantes da economia do País e que vem registrando sucessivas reduções nas vendas nos últimos meses.
Segundo dados da Agência Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a redução das taxas bancárias também não facilitou o acesso ao crediário para o consumidor e ao contrário do que era previsto, as vendas de veículos caíram 13,82% somente no mês passado e 12,27% comparado a abril de 2011.
Em Dracena, as empresas vivem essa situação. O proprietário de uma das revendedoras, José Ferreira Reis informa que as taxas de juros para quem for financiar um veículo ainda não caíram. “Até agora não houve reação, pelo contrário está pior para vendas”, disse.
Ainda segundo Reis, quem pretende financiar um veículo tem que ter um cadastro com os bancos. “E normalmente eles (os bancos) pedem um retorno, como o investimento em um plano de capitalização ou algo semelhante”, explicou.
Conforme o empresário, apesar do comércio de maneira geral estar sentindo a redução das vendas, o setor de veículos é um dos mais atingidos pela crise. “Acredito que houve uma queda de até 80% nas vendas de carros usados, para se fazer uma comparação, vendíamos em média 38 carros por mês e em abril só vendemos três até e agora”, informou Reis.
Segundo o empresário, a maior parte dos empréstimos que a população está contraindo junto aos bancos é para pagar dívidas, aproveitando as taxas de juros mais baixas. “Dificilmente o empréstimo será usado para comprar um veículo”, concluiu.
O vendedor de outra loja de veículos de Dracena, André Roberto de Oliveira, também informou que as vendas de veículos estão bem abaixo do esperado pelo mesmo motivo, a redução nas taxas de juros bancários ainda não sendo utilizadas pelas financiadoras de veículos nas revendedoras.
Os juros, segundo ele, são menores quando o empréstimo é contraído no banco, desde que o interessado seja correntista da instituição financeira. Oliveira cita o exemplo da taxa de juros cobrada hoje nas revendedoras. “Um carro popular que custa R$ 25 mil à vista, se for financiado em 36 meses, o comprador pagará R$ 1,1 mil por mês, um acréscimo de mais de R$ 10 mil no preço final do veículo”, adiantou.
A gerente de uma terceira loja de venda de carros em Dracena, Priscila Ribeiro, informou que apesar das quedas nas vendas de veículos, a tendência será melhorar com a queda dos juros. “As vendas estão paradas em todas as áreas, mas a de comércio de carros é mais acentuada”, explicou.
Priscila informa que o principal motivo para a queda nas vendas está sendo a aprovação dos créditos bancários nos financiamentos. “Houve muita inadimplência e o hoje o Banco Central está mais rigoroso na liberação de crédito para a compra de veículos”, diz a gerente. Ela ressalta ainda que está otimista e um sinal que as vendas irão melhorar é o aumento de pessoas indo à loja, interessadas em pesquisar preços.
“Por enquanto eles estão só consultando, mas acredito que a situação irá melhorar com a redução de juros”, conclui a gerente da revendedora, afirmando que já existe na loja na cidade, linhas de crédito com tabela de juro mais em conta.














