A intensidade da queda das vendas do varejo em abril, de 3,5% frente ao mesmo mês do ano passado, surpreendeu os economistas, que esperavam em média um recuo de 1,8%. Segundo Paulo Neves, da LCA Consultores, os indicadores que o mercado usa para antecipar o resultado do IBGE estavam menos ruins.
É o caso das vendas da Associação Brasileiras dos Supermercados, da movimentação de veículos leves em rodovias e dos índices da Serasa de vendas do varejo. “Entre as atividades pesquisadas, a surpresa foi generalizada. É uma crise mais profunda do que se imaginava porque envolve mercado de trabalho, crédito, inflação”, disse Neves.
No banco Fator, o economista José Gonçalves disse que a velocidade com que as vendas do varejo pioraram dificultou o trabalho dos economistas em projetar o indicador. “Não existe muito paralelo histórico dessa piora do varejo com essa velocidade”, afirmou o economista, que previa um avanço de 0,7% do IPCA em abril, frente a março. A LCA esperava uma queda de 2,7% na vendas do varejo. Com o resultado pior que o esperado, a consultoria mudou sua expectativa para 2015 de alta de 0,2% para queda de 0,6%.
Thiago Biscuola, economista da RC Consultores, disse que foi surpreendido com os resultados de vestuário e de supermercados. Na comparação ao mesmo mês do ano passado, as vendas de hiper e supermercados recuaram 2,3%, divulgou o IBGE ontem (16). “A compressão da renda das famílias impactou forte o segmento. Os preços estão altos e, por isso, reduzem as compras. Quando isso chega ao supermercado, que vende produtos mais essenciais, é porque a crise é mais séria”, disse Biscuola. Biscuola disse que também previa uma queda de 2,7% nas vendas do varejo em abril. E, com o resultado reviu sua projeção para o ano de queda de 1,4% para 1,8%.