Há quanto tempo o senhor – Luiz Alberto Pelozo (foto) é responsável pela CATI de Dracena?
Sou diretor desde fevereiro de 2000
Quais são os principais serviços oferecidos pela Cati? Quais cidades são atendidas?
A missão é promover o desenvolvimento rural sustentável. Dentro dessa proposta executamos, prestamos assistência técnica e desenvolvemos a extensão junto aos produtores rurais, principalmente o pequeno produtor e o produtor familiar. São 16 municípios atendidos, desde Adamantina até Panorama.
Quantas pessoas prestam serviço pela Cati?
São 16 casas de agricultura instaladas nos municípios que estão contidos na nossa área de atuação. O grupo é composto por 40 profissionais, entre engenheiros agrônomos, veterinários e zootecnistas.
Quais são as culturas mais cultivadas em nossa região? A Cati presta assistência a produtores de todas as culturas?
A região é característica de agricultura diversificada. A que ocupa maior extensão é, sem dúvida, a cana-de-açúcar, seguida da pastagem. Depois temos as culturas que são exploradas pelos pequenos produtores, como: café, seringueira, urucum e a fruticultura (acerola, maracujá, manga, uva, etc.). É nesse segmento que entra a grande diversificação. Hoje estamos numa crescente das hortaliças. Prestamos assistência em todas as culturas.
Quais serviços são mais procurados?
A própria assistência técnica, a orientação. Vendemos sementes, mudas, confeccionamos curvas de nível. A extensão rural como um todo é o mais solicitado.
A Cati tem uma grande variedade de cultivares de mudas e sementes disponíveis para venda. Como elas são produzidas? Como podem ser adquiridas?
Existem áreas de produção no estado (como a de Pederneiras, por exemplo) onde são produzidas as mudas. A divulgação se dá em nosso site, em casas de agricultura. Conforme a demanda fazemos o pedido e as mudas são entregues nos municípios. Há um núcleo em Lucélia e Santo Anastácio, de onde é realizada a distribuição.
Quais as maiores dificuldades observadas por vocês nas atividades agropecuárias realizadas em nossa região?
A maior dificuldade é a própria resistência ou falta de estímulo dos produtores em relação à atividade, que não é tão rentável se não forem aplicados o correto conhecimento e a devida tecnologia. Muitas vezes o retorno não é proporcional às dificuldades, além dos problemas climáticos.
O sr. considera que a Cati tem sido útil no desenvolvimento da agropecuária paulista?
Nós possuímos uma tecnologia muito grande, tendo tradição em assistência e contribuindo muito para o desenvolvimento dos municípios da região. A prova é o programa de Microbacias que foi o melhor programa que a Cati desenvolveu em todos os tempos.
Quais os objetivos do programa de microbacias?
Trabalhamos inicialmente com o microbacias I para recuperar ambientalmente as propriedades, deixando-as em condições de produzir porque a região encontrava-se muito degradada. A proposta era baseada na estruturação das propriedades de tal forma que se tornassem produtivas. Esse objetivo foi em grande parte atendido. Estamos iniciando agora o Microbacias II. Nessa etapa, o grande foco é promover o acesso ao mercado, melhorar a renda do produtor, produzir com qualidade facilitando a competitividade.
Há produtores interessados em manter uma linha de produção ecologicamente correta?
Grande parte dos produtores hoje em dia tem essa consciência ecológica. Há 10 anos não era assim, mas foi fantástico o crescimento em relação à conscientização.
A Cati busca orientar os produtores a partir de princípios da sustentabilidade? Como?
Nós procuramos orientar os produtores a produzir de forma sustentável. Esse é nosso foco, uma preocupação muito forte da instituição, sempre orientando a preservar o meio ambiente.
O site da Cati conta com uma sessão denominada “Agroecologia”, o assunto tem sido de interesse dos produtores?
Têm muitos produtores que acessam o site; nele há muitas informações interessantes que ajudam no dia-a-dia. Há vários produtores preocupados com a sustentabilidade hoje em dia.
A Cati atua junto a outras instituições?
Trabalhamos em parecerias, com prefeituras, universidades, sindicatos. Com a prefeitura firmamos convênios formalizados. Com as demais instituições também podemos ter parcerias. Prestamos assistências junto às cooperativas e realizamos dias de campo e apresentamos unidades de demonstração junto às universidades.
Nos últimos anos a nossa região tem sido tomada por uma monocultura (cana-de-açúcar). Qual a sua avaliação sobre o assunto?
A grande vantagem é que ela promove renda e emprego e está ocupando grande parte de áreas que eram improdutivas, degradadas. O ponto negativo é que gera uma pressão muito grande nas pequenas e médias propriedades para a ocupação de área. A monocultura em si não é positiva, no caso de uma crise ela vai gerar um problema muito sério, como vimos na grande crise do café. Ela pode ser interessante desde que ocupe certo percentual, não podendo avançar mais que 35-40% da área total de uma região.
Qual é a sua opinião sobre a alteração do código florestal?
Sou a favor da proposta que traz benefícios para a agricultura familiar. O produtor depende da pequena propriedade para o seu sustento. No passado houve uma pressão para se desmatar e produzir alimentos, tendo até incentivo do governo para isso acontecer. O produtor não pode assumir o ônus de recuperar as áreas de preservação permanente e as reservas que foram danificadas anteriormente para beneficiar toda a sociedade. O produtor rural não pode arcar sozinho com esse ônus. A agricultura familiar tem que ter um diferencial para produzir, sem, no entanto, deixar de preservar o que ainda está intacto. O certo é que a sociedade arque com esse ônus.
A UNESP de Dracena forma zootecnistas com ênfase em responsabilidade ambiental. Como a UNESP pode contribuir ainda mais para o desenvolvimento sustentável da agropecuária?
Na própria conscientização, a UNESP tem uma atuação muito forte junto à sociedade. Ela pode contribuir na conscientização dos produtores e na formação de profissionais de qualidade.














