A Usina de Álcool Dracena não fabricará álcool neste ano e o motivo, segundo a direção da empresa foi a condição do tempo no ano passado e início de 2012 que obrigou a antecipação do final da safra da cana-de-açúcar,  para novembro, quando normalmente ocorre  em dezembro e por consequência, atrasou o início da safra para maio.

Segundo o superintendente da Usina, Pedro Angelo Collegari, a colheita da cana-de-açúcar normalmente termina até o dia 15 de dezembro, com reinício em abril do ano seguinte. 

“A seca prolongada e a geada provocaram a queda na produção da cana reduzindo consideravelmente a safra 2011 e consequentemente, a entressafra teve um período muito longo”, informou. A redução na produção da última safra, de acordo como o superintendente, foi de 1,2 milhão de toneladas de cana, para 800 mil toneladas. 

No estado de São Paulo, segundo ele, a redução  da safra da cana ficou em media de 15%, destacando que em nossa região, a quebra de safra ultrapassou os 19%.

Collegari explica que não havia como a empresa ficar seis meses sem produção, mantendo o quadro de colaboradores neste período. “Por questões econômicas e administrativas, foram feitas demissões por se tornarem mais viáveis para a empresa”. 

“Como é que manteríamos os compromissos em dia, ficando seis meses sem produção, após uma safra menor?”, questionou, explicando que a redução do quadro de funcionários, custou menos que a permanência dos mesmos até o início da safra 2012.

O gerente administrativo e financeiro da Usina, Jefferson Villanova Barros, disse que as demissões nos finais de safras são comuns na maioria das usinas e variam de 20% a 30% do quadro de funcionários, principalmente no setor agrícola, mas para se adequar a realidade, as dispensas na Usina Dracena esse ano foram maiores. 

“Tínhamos 650 funcionários, foram dispensados 450, cerca de 300 (aproximadamente dois terços) da área rural e a maioria, da área industrial que está parada”, explicou Barros. 

Ele salientou ainda que os funcionários desligados receberam os direitos trabalhistas, como a rescisão contratual, Fundo de Garantia (FGTS), férias e 13º proporcionais e o seguro-desemprego. “Há ex-funcionários que receberão a última parcela do seguro em abril”, disse;

MECANIZAÇÃO – O superintendente e gerente administrativo apontam outro fator para a demissão dos trabalhadores rurais. “Antes, tanto o plantio como a colheita da cana eram manuais e a partir de agora passaram a ser 100% mecanizadas”. Eles explicam que hoje 10% dos funcionários fazem o plantio com máquinas, o que antes era executado por 200 trabalhadores.

Na colheita, a situação é a mesma, com as máquinas executando os serviços que antes eram feitos por trabalhadores rurais. “Esse ano, a colheita será 100% mecanizada, a redução do pessoal, se deve principalmente a isso (mecanização), ao mesmo tempo, estamos cumprindo a legislação trabalhista e ambiental e preparando mão-de-obra capacitada”. Hoje, de acordo com o superintendente, a Usina planta e colhe a cana com 450 funcionários. “Se fossemos operar a industrialização (moagem)  teríamos que contratar mais 100”, aponta.  

MUDANÇAS – Segundo Collegari e Barros, a usina está investindo R$ 35 milhões, na compra de máquinas e na expansão dos canaviais.  “Temos 34 operadores de colheitadeiras, 78 tratoristas e vamos adquirir mais quatro colhedoras, para a safra de cana deste ano”, informam.  O salário médio destes operadores fica entre R$ 1 mil a R$ 1,8 mil.

A Usina possui uma área de 16 mil hectares de cana plantada na região, que produz em período normal, 1,2 milhão de tonelada de cana por safra. “Para os próximos anos, a projeção é avançar  para 3,6 milhões de toneladas de produção própria. O custo é alto, para plantar 6 mil hectares de cana, gasta-se em média R$ 30 milhões, mas é a escala de produção que torna o álcool rentável”, ressalta Collegari.

VENDA DA CANA – O superintendente explica que a cana da safra de 2012 foi toda vendida para a ETH Bioenergia, empresa do Grupo Oderbrecht, localizada em Mirante do Paranapanema. “Ficou viável para a usina equilibrar as finanças, vendendo a produção”, informa.

 Ele enfatiza ainda que mesmo com a perspectiva da Usina Dracena voltar a moer no ano que vem o mercado e as oportunidades que surgirem é que vão definir o que será mais rentável para a empresa, o que não impede, segundo Collegari, a continuidade nos  investimentos para  aumentar os canaviais e a ampliação da unidade industrial.

ICMS – Para a cidade de Dracena concordam que a desvantagem está na perda de arrecadação do Imposto Sobre Mercadorias e Serviços (ICMS). “A geração de impostos para o município, principalmente do ICMS era de R$ 2 milhões, com a mudança, o recolhimento dos tributos cairá para cerca de R$ 600 mil, correspondendo ao Imposto Sobre Serviços (ISS)”, afirmam Collegari e Barros, salientando que se 2011 tivesse sido um ano normal para o setor, a usina continuaria a fazer a moagem em Dracena.

As dificuldades de linhas de crédito e os custos de renovação da terra são os principais obstáculos no setor, segundo o superintendente e o diretor administrativo. A Usina conta hoje com mais de 40 parceiros proprietários de terra no cultivo de cana na região de Dracena. 

Além da qualificação dos funcionários, a Usina também investe na área social, de acordo com Collegari, em parcerias com entidades como o Instituto Novo Amanhecer (INA) e o Serviço Nacional da Indústria (SENAI) de Dracena, além de  curso de alfabetização de adultos, em  Ouro Verde.