A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou desde a última sexta-feira (27), as farmácias e drogarias do País a voltar a vender medicamentos isentos de receita médica em gôndolas. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

Segundo informações do presidente da Associação das Farmácias de Dracena, o farmacêutico Danilo do Val Lapenta, os remédios de venda livre devem ficar em área separada de outros produtos como, por exemplo, os cosméticos, além de ser organizado também por princípio ativo, o que não era feito antes. Isso permitirá fácil identificação aos consumidores.

“A volta destes medicamentos de livre acesso ao consumidor irá possibilitar mais opções ao cliente que terá autonomia, já que o produto atrás do balcão ficava a cargo do farmacêutico em oferecer”, afirmou Lapenta.

Ele pontua que também por outro lado, por ter acesso limitado a esses medicamentos, o farmacêutico sabia o que o cliente estava sentindo e assim solicitar o remédio mais adequado para tratar o problema. E, agora com a nova resolução, o cliente pega o remédio direto na gôndola e não pergunta sobre o efeito ativo ao farmacêutico.

A Anvisa também determinou que na área desses remédios deverá conter a informação em um cartaz sinalizado com os dizeres ‘Medicamentos podem causar efeitos indesejáveis. Evite automedicação, informe-se com o farmacêutico’.

De acordo com Lapenta, a Anvisa cria uma série de regulamentações sem antes estudar o assunto. “A Agência deveria ter condições melhores sobre realizar um estudo e verificar antes como isso irá afetar no mercado e na população e se realmente isso trará benefícios ao consumidor”.

Na nova resolução fica a critério do estabelecimento aderir ou não a nova medida, “cada farmácia irá fazer um estudo de mercado para ver a possibilidade de retornar esses medicamentos, já que as gôndolas que eram utilizadas por medicamentos isentos de receita, deram lugar para outros produtos”, concluiu o farmacêutico.

As vitaminas e os antigripais, assim como os xaropes já estão liberados nas prateleiras. Já os analgésicos em geral, remédios para azia, entre outros, ainda serão vendidos atrás do balcão farmacêutico até a decisão do proprietário da farmácia.

RESTRITO – Em 2009, a Anvisa publicou uma resolução que obrigava a venda dos remédios isentos de prescrição médica atrás do balcão farmacêutico para evitar a automedicação. Porém, após estudos, a decisão de posicionar esses remédios atrás do balcão, não contribuiu para reduzir o número de intoxicações no Brasil e nem de trazer benefícios ao consumidor. Devido a isso, a Anvisa decidiu alterar a norma e permitir que os medicamentos de venda livre estivessem ao alcance do consumidor nas gôndolas das farmácias e drogarias.