A longa estiagem que está atingindo o estado de São Paulo está prejudicando a pecuária de leite e corte na região. Com a pastagem cada vez mais escassa, os produtores são obrigados a completar a alimentação para o gado e o reflexo, é o aumento nos preços de insumos, principalmente a ração e o sal mineral.
Segundo o secretário municipal da Agricultura de Dracena, Eduardo Basso, até os açudes nas propriedades estão secando. “A seca é o principal motivo para o preço do gado não subir ao produtor. Ele não pode manter o rebanho no pasto porque perde peso e desvaloriza, não resta outra alternativa a não ser vender para não ter prejuízo ainda maior”, informa.
Basso explica que manter o gado com suplementos alimentares, o custo diário por cabeça gira em torno de R$ 10 a R$ 15. “Com isso, a oferta do gado para os frigoríficos aumenta e o preço cai”, explica.
Na avaliação de Basso, o secretário, para evitar perdas nas vendas, o produtor deve pensar na precocidade de abate do gado. “Se o gado ficar três anos no pasto para ficar ponto para o abate, o dono terá prejuízo”, afirma o secretário, ao relacionar a seca com o aumento de gastos para o produtor rural.
“O gado precoce está pronto para o abate a partir dos 24 meses, com complementação alimentar, aos 18 meses já pode ser vendido para os frigoríficos”, explica. De acordo com o secretário, o macho precoce a partir de um ano e meio, pesa de 15 a 17 arroubas, o que é considerado uma boa pesagem para a venda.
AUMENTO NOS PREÇOS – “Nessa época de falta de chuva, a pastagem não cresce e há necessidade dos suplementos para o gado”, reforça o proprietário de uma loja de vendas de produtos agropecuários em Dracena, Nelson Hiromassa Iwata.
A complementação de alimentos para o gado para suprir a falta do capim, segundo Iwata, é feita com ração à base de soja e milho e complementada com sal mineral.
“Com a alta do dólar e a crise de produção da soja e do milho nos Estados Unidos, o produto subiu 20% em média nos últimos meses no Brasil, enquanto o milho subiu cerca de 8%”, enfatiza o comerciante.
A suplementação alimentar do gado fica ainda mais cara nessa época, porque a soja corresponde de 20% a 25% da ração produzida para o gado.
Uma saca de 40 quilos de ração custa R$ 45 e no caso do gado leiteiro, uma vaca que produz dez litros de leite diários, deve consumir três quilos de ração por dia, mas devido o preço, dificilmente um produtor mantêm essa quantidade, porque terá prejuízo na venda do leite, geralmente fornece um quilo de ração por dia, senão não compensa”, explica Iwata.
A cana é outra ração importante para o gado nessa época de seca. “Mas o produtor deve ter uma trituradeira, a plantação da cana e acrescentar a uréia para transformar a fibra seca em proteínas, o que também aumenta os gastos em média de 20%”, conclui o comerciante.














