Com o objetivo de diagnosticar precocemente o Mal de Parkinson e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, uma pesquisa pioneira realizada em forma de cooperação multidisciplinar entre a Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, e a Faculdade de Ciências da Informação e Matemática da Universidade Regensburg, na Alemanha, está em andamento.
Um dos integrantes da equipe brasileira é o estudante do 6º ano do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista – Unesp, Carlos Alberto dos Santos Filho, que nasceu em Dracena e morou em Pacaembu, onde ainda tem família. Além de Carlos, integram a equipe: dr. Arthur Schelp (neurologista, chefe do ambulatório de doenças do movimento do HC/Unesp); dr. Luiz Antônio Resende (neurologista, chefe do serviço de eletroneuromiografia do HC/Unesp); dra. Silke Anna Theresa Weber (Brasil – responsável pela pesquisa – medicina/Unesp); Thais Veloso (aluna do 4 ano de medicina – Unesp), professor Christian Hook (Alemanha – responsável pela pesquisa – chefe da equipe desta pesquisa na área de matemática aplicada da Regensburg University) e outros pesquisadores e colaboradores (brasileiros e alemães).
O estudo tem apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha.
Sobre o projeto, Carlos explica se tratar de um estudo clínico prospectivo para avaliação de padrões de alteração dos movimentos distais dos membros superiores com distúrbios do movimento, neste caso, na avaliação de pacientes com Doença de Parkinson.
Ele conta que há cinco anos, é desenvolvido na Universidade de Regensburg, na Alemanha, um modelo matemático para a análise de movimento fino (pressão, movimento horizontal e vertical, rotação, estabilidade entre outros) através de um biosensor Biometric Smart Pen Bisp (um tipo de Suuport Vector Machine cada vez mais importante dentro da medicina), que tem formato semelhante a uma caneta e permite a aquisição de dados direto no sensor e uma transmissão com ou sem fio para um computador. O software analisa o padrão de cada componente de movimento dentro de uma média de normalidade e o grau de desvio.
De acordo com o acadêmico há menos de cinco biosensores no mundo e apenas dois deles em exercício – os que estão no Brasil. “Este equipamento, em uma pesquisa internacional através da Unesp-Brasil e da Regensburg University-Alemanha, tem sido utilizado unicamente no Brasil para avaliação de sua possível utilização no diagnóstico e acompanhamento de pacientes com certos distúrbios motoros, como a Doença de Parkinson”, frisa.
Carlos explica que a coleta de dados clínicos e medições do biosensor são realizadas no ambulatório de distúrbios do movimento do HC/Unesp em Botucatu. Os dados biométricos são avaliados pela equipe de matemática aplicada da Regensburg University através de análise computacional.
Um encontro chave para a pesquisa ocorreu em dezembro do ano passado, em Regensburg, na Alemanha, quando foram avaliados o andamento da pesquisa com seus resultados parciais, tanto da parte médica quanto da parte da avaliação computacional, como também para foram planejados e delineados a efetuação das próximas etapas do projeto. Além de Carlos, estavam presentes Dra Silke Anna Theresa Weber e Prof Chrintian Hook com mais três pesquisadores alemães.
A pesquisa é composta por dois grupos de pacientes: um grupo com pacientes com diagnóstico do Mal de Parkinson (grupo Parkinson) e um grupo de participantes sem distúrbios do movimento (grupo controle). O acompanhamento longitudinal dos pacientes com Parkinson, com retornos trimestrais para novas medições, tem como objetivos: avaliar a detecção de alterações motoras finas em pacientes com D Parkinson, através do biosensor BiSP; avaliar se há correlação entre o diagnóstico clínico e o do biosensor BiSP nos pacientes com D Parkinson; avaliar se medidas repetidas do biosensor BiSP permitem detectar possíveis flutuações nos pacientes, e avaliar se medidas repetidas permitem indicar a dosagem ideal da medicação.
“A expectativa é de que isso venha contribuir no diagnóstico precoce e no acompanhamento com um refinamento maior da dosagem dos tratamentos em determinados distúrbios motores (como Parkinson), para oferecer, de forma ampla, uma qualidade de vida melhor e um controle mais efetivo da doença nos pacientes acometidos. Isso também oferece a possibilidade, a ser estudada posteriormente, da utilização desse biosensor em outras patologias. Da mesma forma, os resultados tendem a contribuir com a importância cada vez maior da engenharia médica e de seu desenvolvimento”, analisa .
SERVIÇO – Os interessados em mais informações podem entrar em contato com Carlos pelo email: carlos_casf@me.com














