Tufão, Carminha e Nina devem mexer hoje com o setor elétrico brasileiro. O último capítulo da novela “Avenida Brasil” contará com o reforço das termelétricas a óleo combustível, cuja energia é seis vezes mais cara que a fornecida pelas hidrelétricas.

Com o atraso das chuvas, serão delas a missão de suportar o pico de consumo que deve acontecer quando o último capítulo da novela terminar e o público sair do sofá para tomar banho, ligar a lavadora ou passar a camisa do dia seguinte.

A expectativa é que as pessoas adiem para logo depois da novela atividades que normalmente fazem antes ou durante o folhetim global.

A previsão do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é a de que esse movimento concentrado provoque um pico de consumo maior que o normal.

Na última quarta-feira, por exemplo, o consumo foi de 69,6 mil MW, mas o ONS quer estar preparado para suportar até 76,7 mil MW, o recorde de demanda, alcançado em 8 de fevereiro deste ano.

O problema é que é preciso preservar o nível dos reservatórios, já baixos por causa da estação seca.

Por isso será preciso ligar pela primeira vez no ano usinas movidas à queima de óleo, cuja energia é mais cara que a das termelétricas a gás, já em operação.

USINAS MENORES

O efeito de “Avenida Brasil” no sistema elétrico pode surpreender, mas, segundo estudiosos do setor, ele é resultado de uma escolha que deixa o país mais dependente das termelétricas para atender o horário de pico.

Isso porque, para evitar restrições ambientais e acelerar o licenciamento, o governo abandonou a construção de hidrelétricas capazes de acumular água e aceitou projetos com reservatórios menores, as “fio d’água”.

São os casos de usinas hidrelétricas como Belo Monte, Teles Pires, Jirau, Santo Antônio e Estreito.

Embora a construção delas provoque impacto ambiental menor, há uma contrapartida quando o ONS é obrigado a ligar térmicas caras e poluentes para atender ao país, como ocorreu ontem.

PESO NA CONTA DE LUZ

As termelétricas a óleo combustível vão substituir 2.100 MW que estavam sendo gerados pelas usinas hidrelétricas.

Embora seja apenas 3% do total, o impacto é significativo porque cada megawatt-hora custa R$ 700. Hidrelétricas têm custo inferior a R$ 100, e termelétricas a gás custam cerca de R$ 300 por MWh.

O efeito nas contas de luz deve aparecer no segundo semestre de 2013, quando ocorrem os reajustes das tarifas.

A decisão era ligar as térmicas em setembro, mas o ONS esperou o início das chuvas, que atrasou.

O nível dos reservatórios no Sudeste e no Centro-Oeste é de 41,8%. No Nordeste, o conjunto das hidrelétricas está com 37,4%. No Sul, o nível é de 38%, e, no Norte, 46%.

O próximo passo, se as chuvas atrasarem mais, será ligar as térmicas a óleo diesel. Essas custam quase R$ 1.000 MWh.