É interessante como muitas pessoas se queixam dos acontecimentos que, muitas vezes, foram ocasionados pelas escolhas delas próprias. É comum se esquecer que todas as situações que se nos apresentam decorrem, algumas de nossas escolhas, outras da realidade que está fora de nós.
Quando se satisfaz todos os desejos de uma criança, é comum que ela cresça achando que tudo que ela quer virá lhe ter às mãos porque sempre foi assim. Quando um candidato vence uma eleição, ele verá desfilar diante si um rosário de problemas para resolver, completamente diferente dos embates pré-eleitorais. O jogo muda drasticamente e a realidade depois é outra.
Quando um país adota o regime monárquico, as pessoas não criticam o rei ou rainha. Já sabem que serão governados por essas pessoas enquanto elas viverem e, portanto, não cabe nenhuma reclamação, porque aquela situação é fatal. Quando o regime político é ditatorial, também não se reclama, porque uma reclamação pode resultar em tortura e morte. Por mais defeitos que se veja, a prudência aconselha que se cale. Que se cale a mídia, se quiser sobreviver; que se calem as pessoas, se tiverem amor a sua vida e a de seus familiares.
Nas democracias, cuja essência se resume na obediência à vontade da maioria, muitas vezes, nos deparamos com indivíduos completamente despreparados para uma convivência pacífica com seus iguais e que tentam, de forma agressiva, impor sua vontade à maioria. Quando uma pessoa tem um mínimo de educação e civilidade, ela aceita que a opinião da minoria não prevaleça. Alguns poucos não podem impor sua vontade aos demais. E quando alguém quer expressar essa vontade, é justo que a faça desde que para isso se utilize de educação e boas maneiras.
O meu direito vai até onde começa o do meu próximo, diz a Lei. Quando o “meu próximo” reúne um número muito superior àquele que pensa como eu, o bom senso manda que eu me recolha e respeite. Por isso os governos democráticos são respeitados, porque têm legitimidade. E a legitimidade provém disso, da aceitação da vontade da maioria. O contrário disso é a quebra da ordem, o tumulto, o caos.
Politicamente, os exemplos das desordens que ocorrem em muitos países estão aí, estampados na mídia para que ninguém alegue ignorância. A Síria e outros países do Oriente Médio não aceitam mais o totalitarismo, querem a democracia com todos os seus defeitos, mas que ainda é o melhor dos regimes. E o que ainda é melhor: quando as pessoas não concordam com as atitudes de seus governantes, educadamente, sem a necessidade de ofensas, simplesmente trocam os governantes nas eleições que são periódicas.
Por isso se diz que democracia é o regime para indivíduos civilizados. Não há que ofender, simplesmente trocam-se uns governantes por outros que se creiam mais preparados. Tudo isso civilizadamente. Assim, causa preocupação quando pessoas que ainda não passaram pelo processo civilizatório atacam, grosseiramente, os governantes. No Brasil, já se viu esse cenário antes, deu numa ditadura sangrenta onde ninguém podia se expressar, nem para reclamar de parentes desaparecidos. Pode-se orientar uma autoridade com críticas construtivas, porém sem jamais perder o respeito. Aí reside a liberdade de todos.
Até quarta-feira
– Dracena –
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