Normalmente, quando aparecem as dificuldades é que surgem também as grandes ideias. O Jornal Regional publicou na edição de domingo, 27, a notícia de que, em Lucélia, um vereador, Ney Roberto Dadamo, apresentou na Câmara uma indicação para que fossem utilizados os serviços de presidiários em tarefas em que a prefeitura tem dificuldades de encontrar mão-de-obra.
Um dos grandes problemas enfrentados pelos governos é encontrar servidores que, realmente, exerçam suas funções. Antes de conseguirem o emprego, são pessoas saudáveis, dispostas a enfrentar qualquer trabalho por mais difícil que seja. Depois, entram com pedido de licença médica até para unha encravada.
Quando a prefeitura abre concurso para admitir funcionários para serviços gerais que, entre outras funções está a de varredor de rua, aparece gente de todo canto. Demonstram esbanjar saúde, adoram varrer ruas, até porque o serviço ao ar livre é muito saudável e deixar a cidade limpa é o seu sonho. Aprovados e estabilizados no serviço público, aparecem as bursites, hérnias de disco, depressão e outras tantas doenças de que ouviram falar.
Esse é um dos grandes motivos pelos quais Dracena e algumas outras cidades não se apresentam com ruas e praças limpas como todo cidadão gostaria de ver. Tem servidores e faltam servidores. A folha de pagamentos está transbordando de números, porém há funções que não têm quem as exerça.
Pode parecer brincadeira, mas há secretarias em que mais da metade dos funcionários estão em licença de saúde. Então o poder público gasta uma fortuna e não tem quem cumpra as obrigações, principalmente as de limpeza pública. E isso acontece também no setor privado. Não é difícil encontrar um empregado que se diz impossibilitado de trabalhar e se afasta junto ao INSS por motivo de doença. Só que arranja outro trabalho, às vezes semelhante ao primeiro, e ganha do INSS, sem trabalhar, e ganha da outra função.
Por isso, essa ideia de colocar presidiários para trabalhar é excelente. Como estão em regime semiaberto, podem sair para trabalhar durante o dia e à noite voltam para a prisão. A cada 3 dias trabalhados terão redução de 1 dia na pena. Mesmo podendo sair, se não tiverem trabalho fixo têm que ficar na prisão, o que é terrível para qualquer pessoa. Como ainda ganham uma ajuda de custo, para eles só há vantagens. Não vão fazer corpo mole, pois do contrário voltam para as celas.
A outra grande vantagem é que aqueles que se comportarem bem, mostrarem amor ao serviço, forem obedientes e eficientes, quando terminarem de cumprir pena podem levar uma recomendação por escrito atestando seu comportamento durante a execução de seu trabalho. Isso vai facilitar, e muito, na recondução de sua nova vida.
Está de parabéns o vereador Ney Roberto, pela excelente ideia, e também o prefeito de Lucélia que soube compreender e abraçar esse plano que presta um serviço inestimável ao detento e ainda provê a prefeitura de trabalhadores que, realmente, querem trabalhar e não arranjar um lugar para se “encostar” e, fraudulentamente, conseguir mais uma fonte de renda.

Até quarta-feira
-Draceana-
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