Nossas visitas estão chegando. Vêm de todos os cantos do mundo atendendo ao nosso convite de anos atrás. Como bons anfitriões, nossa obrigação agora é nos prepararmos para recebê-las da melhor forma possível. É hora de arrumar a casa, recolocar o que estiver fora de lugar, dar banho nas crianças, preparar um tira-gosto e colocar aquele sorriso de satisfação no rosto. Depois de anos de espera, as visitas chegam e deixam nos donos da casa a sensação de imensa satisfação pela consideração e pelo prestígio com que nos brindam.
Agora são só sorrisos, abraços e muita alegria. Com as visitas em casa, não é hora de trazer à baila a torneira que está pingando, a descarga do banheiro com defeito, a goteira do telhado bem no meio do quarto, a pintura desbotada das paredes da casa, muito menos dos gastos exagerados do marido em sua ida ao supermercado, ou a conta que a filha fez na cabeleireira que está difícil de pagar. Esses problemas são de ordem interna da família e são para ser resolvidos internamente, sem a presença de “gente de fora”.
Há 64 anos recebemos essas mesmas visitas e nos engalanamos todos para recebê-las. Mostramos toda a nossa alegria e, apesar de não termos ganho a copa, soubemos fazer a felicidade dos amigos que deixaram seu país para vir nos visitar e conhecer de perto nossos costumes, nossas paisagens, nossa alegria.
É a Copa do Mundo de Futebol que, desta vez, veio para o Brasil trazendo todo o seu séquito de admiradores. Quando foi divulgada a escolha do Brasil como sede da copa, houve uma alegria geral. A Avenida Paulista, na capital virou um verdadeiro palco carnavalesco para comemorar o evento. No Rio de Janeiro, improvisaram palcos e, por toda a orla, artistas davam seu show para uma multidão que dançava e cantava em comemoração à vinda da copa para cá. Não foi diferente em outras capitais. De norte ao sul do país pipocaram festas de apoio pelo fato de o país receber o maior evento futebolístico do mundo.
Qualquer pessoa de bom senso sabia que teriam que ser investidas grandes somas em estádios, segurança, mobilidade urbana e outros quesitos necessários. Não poderíamos sediar uma copa em campinhos de várzea, em estádios acanhados, impróprios para um evento dessa categoria. Toda essa preparação custa dinheiro, muito dinheiro. Só que, terminada a copa, tudo isso ficará aqui para os brasileiros. Foi uma evolução forçada e às pressas para mostrar ao mundo que sabemos receber à altura, um evento dessa magnitude.
Todos os problemas que possam existir no país devem ser resolvidos em seu devido tempo. Temos os Tribunais de Contas para verificarem se os gastos extrapolaram o que foi planejado. Temos a Polícia Federal e a Civil para verificarem se houve superfaturamento e quem saiu ganhando com isso, enfim, há toda uma infra-estrutura política e jurídica para constatar o que está certo ou errado.
Nem mesmo durante a ditadura militar, com todo o seu rol de torturas, desaparecimentos ou mortes, impediu-se que o povo torcesse pelo Brasil nas copas. Não será agora que o país a sediará que deixaremos de prestigiar o evento. Agora é a hora da torcida, da festa, da comemoração para que seja esta a “Copa das Copas”.
Até quarta-feira
– Dracena-
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