Produtores rurais de Junqueirópolis estão preocupados com a proliferação da mosca do estábulo. Há aproximadamente dois anos, o número de insetos vem aumentando, deixando os animais irritados e prejudicando a produtividade do rebanho.
Na fazenda do pecuarista José Vilela, a mosca incomoda a todos, inclusive, os proprietários e outros animais, como os cães. A Stomoxys calcitrans, mais conhecida como mosca do estábulo ou mosca do bagaço é um pouco maior que uma mosca doméstica com aparência muito parecida. O que as diferenciam é o sugador que a mosca do estábulo usa para alimentar-se do sangue de animais e até dos humanos. Sua picada é muito dolorida, causa desconforto e incomoda os animais parasitados, resultando em prejuízos na produção. Como forma de defesa, os rebanhos se aglomeram no pasto e se debatem, causando estresse ao animal.
Vilela informou que a situação ficou crítica de um ano pra cá, devido à grande quantidade de produção de vinhaça. A vinhaça é um resíduo pastoso, malcheiroso, que sobra após a destilação fracionada do caldo de cana-de-açúcar fermentado para a obtenção do etanol. Para cada litro de álcool produzido, 12 litros de vinhaça são deixados como resíduo. Apesar de conter nutrientes, o excesso de líquido acumulado e a formação de poças em áreas livres tem se tornado ambiente propício para a reprodução da mosca do estábulo.
Segundo Vilela, a mosca começou a tacar o rebanho no ano passado e neste ano houve queda de 30% na produção. Ele cria gado de corte e percebeu a diminuição em nascimento de bezerros. “Ao invés do gado se alimentar, ele fica se debatendo e perde peso”. O pecuarista ainda avisou que os investimentos realizados para exterminar a proliferação dessas moscas são bastante caros e poucos eficazes. Produtores da pecuária leiteira também já contabilizam queda expressiva na produtividade.
PREFEITURA – No último mês, produtores de Junqueirópolis entregaram ofício ao prefeito Hélio Furini solicitando apoio e maior discussão do caso. Além de afetar o gado, os produtores também se preocupam com a proliferação das moscas em áreas urbanas, uma vez que, podem provocar doenças como tuberculose e brucelose em humanos.
O diretor de Agricultura, Roberto Hiroshi Fujiwara, informou que na próxima semana haverá reunião onde além de produtores, estarão reunidos representantes das usinas de açúcar e álcool da região, autoridades municipais, profissionais da Unesp de Dracena, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) de Adamantina e Coordenadoria de Assistência Técnica e Integral (Cati) Regional de Dracena para debater o problema e buscar soluções.
Fujiwara ainda mencionou que a Prefeitura também já comunicou o caso para a Secretaria de Agricultura do Estado, através de ofício para a secretária da pasta, Mônica Bergamaschi, onde foi solicitado auxílio e apoio para este problema na região. Ação no Ministério Público também deverá ser ingressada para apuração do caso.