A Cambridge Analytica, consultoria política responsável pelo vazamento de dados do Facebook para usar na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (2) que está encerrando “imediatamente” as operações após dar entrada em um pedido de falência.

A empresa atribui sua situação financeira ruim à repercussão negativa do uso indevido dos dados de 87 milhões de usuários da rede social.

“Ao longo dos últimos meses, a Cambridge Analytica foi alvo de numerosas acusações infundadas e vilanizada por atividades que não só são legais, como também são amplamente aceitas como um componente padrão dos anúncios online, tanto na arena comercial quanto na e política”, informou a empresa, em comunicado.

 

“Apesar da confiança inabalável da Cambridge Analytica de que seus funcionários atuaram eticamente e legalmente, o cerco da cobertura da mídia virtualmente afastou todos os consumidores e fornecedores da empresa.”

 

Formalmente, a SCL Group, empresa-mãe da Cambridge Analytica, entrou com um pedido de falência no Reino Unido e informou que em breve o processo também atingirá sua subsidiária nos Estados Unidos . A companhia já escolheu a firma de auditoria Crowe Clark Whitehill para auxiliá-la no processo de fechamento.

“Apesar da condição financial precária da companhia, a Cambridge Analytica pretende cumprir com todas suas obrigações com os funcionários, incluindo aquelas com respeito a aviso prévio, indenização e outros pagamentos.”

 

O escândalo do Facebook

 

Em 17 de março, os jornais “New York Times” e “Guardian” revelaram que os dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook foram usados sem o consentimento deles pela Cambridge Analytica. Dias depois, o próprio Facebook retificou a informação e passou a estimar em 87 milhões o número de pessoas atingidas.

A empresa britânica de análise política acessou o grande volume de dados pessoais após um teste psicológico, que circulou na rede social anos atrás, coletar informações. Os dados recolhidos não eram só os das pessoas que toparam fazer o teste. Havia também informações de milhões dos amigos delas.

 

Para ter a acesso ao gigante estoque de dados, o teste não precisou usar hackers ou explorar brechas de segurança. Apenas aproveitou que, na época, o Facebook dava a liberdade para seus usuários autorizarem o acesso aos dados de seus amigos. O passo seguinte, no entanto, estava fora do raio de atuação do Facebook: após a coleta dos dados, o desenvolvedor do teste os compartilhou com a Cambridge Analytica.