Glaucoma pode atingir homens jovens por liberação de pigmentos da íris

Cedida Unsplash
Condição tem componente genético importante e está ligada à miopia leve a moderada
  
 DA REDAÇÃO

O glaucoma não é uma doença da terceira idade. Na verdade, a condição pode afetar bebês, crianças, jovens, adultos e idosos. O que muda de uma faixa etária para a outra é a causa da patologia.

Pouco conhecido, o glaucoma secundário pigmentar é relativamente comum entre homens jovens, com grau leve ou moderado de miopia. A causa é a liberação de pigmentos da íris que se acumulam e atrapalham a drenagem do humor aquoso. A partir disso, a pressão intraocular aumenta danificando o nervo óptico.

Segundo a oftalmologista Dra. Maria Beatriz Guerios, a íris é a parte colorida dos olhos. Esse colorido depende de pigmentos, que são substâncias que conferem cor aos tecidos e células do corpo humano.

“Algumas pessoas desenvolvem uma condição chamada de síndrome de dispersão pigmentar, que como o próprio nome diz, libera pigmentos da íris que se acumulam em partes do olho que são fundamentais para drenagem do humor aquoso, o líquido que preenche o globo ocular”.

O resultado desse acúmulo é o aumento da pressão intraocular, principal fator de risco para o glaucoma. O desequilíbrio da PIO causa lesões irreversíveis no nervo óptico, que levam à perda visual.

Miopia leve é fator de risco

A síndrome de dispersão pigmentar é relativamente comum entre homens jovens e míopes. A prevalência é de 2,5% da população em geral. Uma das hipóteses é que a síndrome está ligada a um formato mais côncavo da íris. Isso, por sua vez, causa fricção do local em que se encontram os pigmentos, causando a liberação dos pigmentos.

“O principal fator de risco para desenvolver o glaucoma pigmentar é ter o diagnóstico da síndrome de dispersão pigmentar. Estima-se que o risco de desenvolver o glaucoma pigmentar nessa população é de 10% após 5 anos do diagnóstico e esse risco aumenta com o passar dos anos, podem chegar a 50%”, comenta Dra. Maria Beatriz.

Sem sinais

Infelizmente, o glaucoma é uma doença silenciosa. Isso quer dizer que não há sintomas nas fases iniciais. “Infelizmente, quando a pessoa percebe algum tipo de perda na acuidade visual, o glaucoma já está instalado. Daí a importância de consultas regulares com o oftalmologista.

“No caso do glaucoma pigmentar, é importante descobrir se há histórico familiar da doença. Outra recomendação é que o grupo de risco – homens jovens com miopia – se submetam com mais frequência aos exames oftalmológicos de rotina. A partir disso, o oftalmologista pode avaliar se há indícios de uma possível dispersão pigmentar, por exemplo”, ressalta a médica.

Tratamentos podem impedir perda visual

Felizmente, o glaucoma é uma doença que pode ser controlada. A perda completa da visão ocorre em 5% dos casos em geral, mas pode variar de acordo com a fase da doença no momento do diagnóstico.

“O glaucoma pigmentar é tratado, preferencialmente, com cirurgias a laser, como a iridotomia e a trabeculoplastia. Em todos os tratamentos, o objetivo é controlar a pressão intraocular para impedir os danos no nervo óptico”, finaliza a médica.