
Quando a sirene toca, geralmente os alunos já sabem o motivo. No entanto, o alarme pode causar incômodo em crianças com sensibilidade sonora. Pensando nisso, três escolas municipais de Junqueirópolis (SP) trocaram o barulho por uma melodia.
A mudança foi comunicada pela prefeitura na terça-feira (22), ao demonstrar, na prática, como o sinal sonoro tocará a partir de agora.
À TV TEM, a diretora de Educação, Maria Edna do Rosário Bonancim, reforçou a importância dessa mudança, já que a rede municipal atende atualmente 87 crianças atípicas. A população estimada até 2025 é de 20.939 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Uma alegria, uma alegria para eles e para nós. Conseguimos colocar nas três escolas municipais. Não é mais um sinal somente sonoro, mas é um sinal musical. Eles estão agitados, animados, porque é inovador para eles.”
Neuropsicóloga especialista em atendimento a crianças e adolescentes, Aline Tanaka explica como a sensibilidade sensorial influencia na rotina de pessoas atípicas, como aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
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Sirenes de escolas passam a tocar música em vez de alarme para garantir inclusão em Junqueirópolis (SP) — Foto: Reprodução
Sensibilidade sensorial
Conforme a especialista, quando uma criança tampa os ouvidos em shoppings, em festas ou escolas, o gesto pode ser interpretado como birra ou exagero; no entanto, a atitude pode ser uma resposta à hipersensibilidade auditiva.
“O nosso cérebro pode processar os sons de diferentes formas, fazendo com que barulhos que parecem comuns para a maioria das pessoas sejam extremamente intensos, desconfortáveis e até dolorosos”, destaca a neuropsicóloga.
Isso pode gerar ansiedade, irritação, dificuldade de concentração e até crises de sobrecarga, segundo Aline. “Se a gente cria ambientes mais inclusivos, muda tudo, faz a diferença.”
Um dos exemplos citados pela especialista é tentar reduzir ruídos quando possível, respeitar a necessidade de pausas, permitir o uso de abafadores de som e evitar o julgamento. Atitudes assim são fundamentais para promover esse acolhimento e dar qualidade de vida.
“A inclusão não é tratar todo mundo da mesma forma; é a gente compreender as necessidades que cada indivíduo tem e oferecer condições para que ele participe do mundo com mais conforto, segurança e respeito”, destaca.
Outro exemplo de inclusão ocorreu na 16ª edição do festival Sesc Thermas do Rock, com espaços sensoriais montados por especialistas e a inclusão de abafadores. Estratégia pensada para proporcionar uma experiência completa para todo o público.
“Quando a gente entende que o problema nem sempre é o comportamento, mas a forma como o nosso cérebro percebe o ambiente, a gente começa a praticar uma inclusão de verdade”, completa a neuropsicóloga.














