Apesar da importância econômica do setor agropecuário para a economia regional e nacional e da velocidade com que ele se reestrutura, o modo de organização da produção gera um conjunto de impactos sócio-econômicos e ambientais negativos, destacando-se entre eles a precariedade das relações e condições em que se realiza o trabalho, resultando em queda de qualidade, produtividade e consequente aumento de seus custos, no tocante à atividade econômica.

Para que uma propriedade agropecuária se mantenha no mercado atual, independente do ramo de atividade em que atua, é essencial que possua um amplo conhecimento e um gerenciamento de seus recursos produtivos, dos quais sejam apropriados às suas necessidades.

Neste sentido, o DRP (diagnóstico rural participativo) é um conjunto de técnicas e ferramentas que permite com que as comunidades façam o seu próprio diagnóstico e a partir daí comecem a autogerenciar o seu planejamento produtivo, por meio de um levantamento de dados situacionais do sistema de produção na aplicação de entrevistas (questionários de avaliação). Desta maneira, os participantes poderão compartilhar experiências e analisar os seus conhecimentos, a fim de melhorar as suas habilidades de planejamento e ação.

A realização de uma análise na propriedade – incluindo grupos associativos, como associações e cooperativas – é de fundamental relevância, de forma a identificar as limitações e potencialidades na etapa de avaliação inicial, contemplando as dimensões sócio-econômicas, de produção e ambiental.

Sequencialmente, na identificação dos principais problemas existentes na produção, sugere-se a elaboração de um diagrama “árvore de problemas” (ou diagrama de causa e efeito), representando as causas (raiz), os problemas (caule) e as possíveis consequências (folhas). Por exemplo, para um sistema pecuário, uma baixa lucratividade pode ser oriunda de um manejo inadequado, que por si só, é resultante da falta de planejamento aplicada na propriedade.

Em síntese, o diagnóstico é relevante pelo fato de permitir aos produtores organizados dizer abertamente suas ideias, problemas e iniciar a própria reflexão de como fazer para melhorar, começando a entender quais atitudes devem ser mudadas e o que precisa para ser melhorado em relação ao mercado, como os principais parâmetros num sistema de produção animal: genética, nutrição, instalações (bem-estar), dentre outros, melhorando suas ações estratégicas de produção voltadas para uma produção sustentável.