Você já ficou sem voz ou imaginou como seria não conseguir falar? Para muitos pacientes com câncer na laringe, um dos tipos mais comuns na região da cabeça e pescoço, essa é uma realidade. Em casos avançados, a extração da laringe (região onde ficam as cordas vocais), conhecida como laringectomia total, é o procedimento que pode garantir a cura, mas também causa a afonia, que é a perda da voz.

De acordo com a fonoaudióloga Renata Furia Sanchez, do Hospital Amaral Carvalho (HAC), além de lidar com o tratamento, os laringectomizados totais precisam aprender a se comunicar novamente. A profissional conta que a instituição é pioneira no acompanhamento desses pacientes através da criação de um grupo, há quase 30 anos, que oferece suporte como a reabilitação vocal e reinserção social.

No dia 31 de maio, os mais de 30 integrantes desse grupo e a equipe composta por profissionais de enfermagem, assistência social, psicologia, nutrição, farmácia e a fonoaudiologia, receberam uma visita especial: representantes da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) estiveram no HAC para apresentar seus projetos em benefício dos laringectomizados. “É uma entidade criada e presidida pela Melissa Ribeiro, que é laringectomizada. Uma associação que entende e abraça essa causa, luta pelos direitos e conquistas. Que honra recepcioná-los”, destacou Renata.

Entre as ações da ACBG, está o projeto “Uma voz possível”, iniciativa viabilizada pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), que distribui laringes eletrônicas a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para facilitar a comunicação. “Portátil, com baterias recarregáveis, o acessório possibilita a emissão de uma onda sonora contínua. Essa vibração é transmitida por uma pseudovoz metálica que forma palavras através dos órgãos articuladores (lábios, língua e dentes)”, explica Renata.

Na visita da ACBG, cinco pacientes do HAC receberam a laringe eletrônica e a ocasião foi emocionante. O Marcos Roberto (42) que o diga! Oito meses após a cirurgia, depois de mais de 200 dias sem conseguir se comunicar, o rapaz está todo feliz com o acessório e grato. “A primeira coisa que fiz foi gravar um vídeo agradecendo, com as minhas palavras, a todos que me ajudaram e me apoiaram até agora”, contou.

Renata comenta que, pelo alto custo, muitos não teriam condições de adquirir a laringe eletrônica. “Graças ao projeto da ACBG, muitos brasileiros têm sido beneficiados e, em breve, por intermédio da Associação, o equipamento deverá estar disponível no SUS a todos os laringectomizados”, comemora.

De acordo com a profissional, o equipamento é emprestado ao paciente, que usa pelo tempo necessário e depois devolve ao hospital para ser repassado a outros usuários.

 Julho Verde

A fonoaudióloga contou que, na ocasião, aproveitou para firmar parceria com a ACBG para a mobilização Julho Verde, de conscientização sobre câncer de cabeça e pescoço. “Estamos planejando atividades para ressaltar medidas de prevenção, a importância do diagnóstico precoce e sobre reabilitação, com participação do nosso grupo. Em breve teremos a programação completa”, adiantou.            

O representante da ACBG, Eduardo, e a fonoaudióloga do HAC, Renata , entregam a laringe eletrônica ao paciente Marcos Roberto (Divulgação)

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