Em um esforço que envolveu quatro universidades (UFG, UnB, UFRJ e Unicamp), pesquisadores brasileiros montaram um mapa com as áreas de melhor custo-benefício para conservação de animais carnívoros no mundo. O trabalho foi publicado nesta quinta-feira (27) na revista científica online “PLoS One”.

O objetivo dos pesquisadores era não apenas indicar onde estão as regiões que concentram as espécies de carnívoros com maior risco de extinção, mas também aquelas que são boas opções de investimento econômico.

“São áreas que vão trazer um melhor retorno para a conservação por serem menos dispendiosas economicamente e ao mesmo tempo concentrarem espécies muito vulneráveis”, afirma Rafael Loyola, coordenador do laboratório de ecologia aplicada e conservação, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás.

“Para grandes ONGs internacionais, esse tipo de análise é fundamental”, afirma Loyola. ” Ela indica, em uma escala global, onde há melhores oportunidades de conservação. Isso é crucial pois o orçamento destinado para essa finalidade é definido em escala mundial”, explica.

Brasil

Os carnívoros são o topo da cadeia alimentar e muitos deles são animais de grande porte. Sua extinção afeta todo o ecossistema, explica o pesquisador.

Entre as espécies mais ameaçadas estão o tigre, o urso-de-óculos e os brasileiros ariranha, onça-pintada e lobo-guará – os três típicos do Cerrado.

“O estudo foi feito em uma escala global e ainda assim o Cerrado foi indicado como uma área-chave para a conservação”, afirma Loyola.

“É uma área muito importante para o planeta e ainda é uma opção relativamente barata para o investimento seguro em conservação, que vem sendo contínuamente desmatado e degradado em função da expansão agrícola e pecuária”, diz o pesquisador.