Os municípios da região começam a implantar o teste rápido para detectar a leishmaniose visceral canina. Os kits dos exames que apresenta os resultados em apenas 20 minutos, utilizando uma pequena amostra de sangue do cachorro, estão sendo entregues aos órgãos de saúde dos municípios, pelo Instituto Adolfo Lutz, de Presidente Prudente.

Segundo a pesquisadora científica e diretora do Núcleo de Ciência Biomédica do Instituto de Presidente Prudente, Lourdes Aparecida Zampieri D´Andrea, antes da distribuição dos kits,  foram realizados dois treinamentos para os funcionários da Vigilância Epidemiológica de  45 municípios da região; o primeiro  em maio, em Marília e o segundo em junho, em Presidente Prudente.

Os treinamentos tiveram como objetivo, capacitar os funcionários para realizar os exames com segurança. “Além disso, os setores de saúde dos municípios devem estar preparados para a realização dos exames, como possuírem geladeira e freezer para armazenar o soro dos sangues coletados dos animais”, informa a diretora.

“Os testes com resultados positivos da doença são encaminhados ao Adolfo Lutz, enquanto os negativos ficam armazenados nos municípios para o controle de qualidade”, informa a  diretora. De acordo com D´Andrea, há um controle rígido pelo Ministério da Saúde sobre a utilização dos kits do teste rápido. 

Mensalmente os municípios devem preencher  os cadastros que são enviados ao Ministério, contendo dados da utilização dos testes. “É um procedimento obrigatório para os municípios receberem novos kits dos testes”, explica a diretora.

Na microrregião de Dracena, segundo D´Andrea,  os municípios já foram comunicados da disponibilidade dos kits no Adolfo Lutz em Presidente Prudente para receber os testes rápidos.  Foram receber os kits, os municípios de Junqueirópolis, Tupi Paulista, Flora Rica e Panorama.

Segundo a educadora de Saúde de Junqueirópolis, Márcia Gomes, os testes rápidos para detectar a leishmaniose já estão sendo realizados no município e os resultados positivos são enviados para o Adolfo Lutz em Presidente Prudente onde novo teste é feito. “Esses dois exames sempre foram feitos para comprovar a doença, quando um caso é positivo”, informa Gomes. 

Ela explica que o sangue coletado dos animais passa pela centrifugação e o teste rápido é realizado no soro.  “A eficiência nos resultados é maior e não é preciso que o agente da vigilância permaneça 20 minutos na residência até sair o resultado”, informa a educadora.

Conforme Márcia, nos últimos testes realizados no município, das 1.200 amostras de sangue coletados, 27% resultaram positivos. “A leishmaniose se previne eliminando o mosquito (palha) que transmite a doença, por isso a limpeza dos quintais é fundamental”, conclui.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, o novo “Teste Rápido DPP Leishimaniose Visceral Canina,” produzido pelo BioManguinhos, Instituto Adolfo Lutz estará disponível para todo o estado até o final deste ano. Na fase de implantação estão sendo priorizadas as cidades com registros da doença em humanos e animais

A leishmaniose visceral é uma doença causada pelo protozoário Leishmania chagasi, com transmissão via mosquito que vive em ambientes escuros, úmidos e com acúmulo de lixo. 

Em ambientes urbanos, os cães fazem papel de reservatórios da doença, que pode ser transmitida para humanos. Entre os sintomas da doença estão febre de longa duração, fraqueza, emagrecimento e palidez. Além disso, a leishmaniose visceral também pode afetar o fígado, o baço e a medula óssea.

Neste ano, o Estado de São Paulo registrou cinco casos de leishmaniose visceral americana humana, contra 187 casos da doença contabilizados no ano passado.  Antes dos testes rápidos, o diagnóstico da leishmaniose nos cães demorava até uma semana.