Morre idoso que foi dado como morto e apresentou sinais vitais em funerária no interior de SP

Idoso dado como morto em hospital apresenta sinais vitais durante preparo do corpo em funerária em Presidente Prudente — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução
Idoso dado como morto em hospital apresenta sinais vitais durante preparo do corpo em funerária em Presidente Prudente — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Idoso dado como morto em hospital apresenta sinais vitais durante preparo do corpo em funerária em Presidente Prudente — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

O idoso que havia sido dado como morto na Santa Casa de Presidente Bernardes (SP), em 16 de maio, mas teve os sinais vitais identificados na funerária, morreu nesta quarta-feira (17).

Juraci Rosa Alves, de 88 anos, estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Presidente Prudente (SP). Nesta segunda-feira (15), ele deixou a UTI e foi transferido para a enfermaria.

O homem teve os sinais vitais identificados pela funerária durante a preparação do corpo para o velório, em 16 de maio.

A morte foi confirmada pelo advogado da família à TV TEM. A Santa Casa Presidente Prudente também confirmou o óbito.

Conforme apurado pelo g1 e TV TEMo idoso morreu em decorrência de pneumonia. O corpo é velado nesta quinta-feira (18), no Velório Municipal de Emilianópolis, e o sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Municipal da cidade.

Em entrevista à TV TEM, o neto do idoso, João Pedro Nascimento, contou que a família acompanhava diariamente a recuperação do aposentado e chegou a comemorar a evolução do quadro clínico.

“Quando meu avô chegou no hospital de Presidente Prudente, ele apresentava bastante dificuldade para respirar. Tanto que ele chegou a fazer todo o processo de respiração mecânica. Neste exato momento, ele apresentou uma grande melhoria. Atualmente, ele não precisa mais dos aparelhos para poder respirar, [ele] está totalmente por conta dele mesmo”, relatou o neto.

Relembre o caso

Juraci teve o óbito declarado no hospital por ausência de pulsação e batimentos cardíacos e chegou a ser levado para a funerária para ter o corpo velado, quando funcionários da empresa perceberam que ele estava respirando.

g1 teve acesso a informações do inquérito policial. Conforme a Polícia Civil, o prontuário médico, previamente analisado, indica que o paciente foi submetido a manobras de reanimação por período superior a uma hora, incluindo três tentativas de intubação orotraqueal, todas sem sucesso.

Conforme o registro, ao final das tentativas de reanimação, o paciente foi reavaliado, sendo constatada ausência de pulsos centrais e periféricos, ausência de batimentos cardíacos, pupilas midriáticas e ritmo de assistolia no monitor cardíaco.

Diante desse quadro, foi declarado o óbito, de forma equivocada, às 19h50 em 16 de maio deste ano, com indicação das causas “insuficiência respiratória aguda” e “pneumonite por sólidos” (inflamação nos pulmões causada pela aspiração de alimentos ou substâncias estranhas).

Pouco tempo depois, o homem foi levado à funerária em Presidente Prudente, onde funcionários perceberam que ele estava respirando.

Ainda segundo a Polícia Civil, até esta segunda-feira, foram colhidos oito depoimentos ao longo do mês e as investigações seguem em andamento. O inquérito policial encontra-se atualmente em fase de produção de provas orais e aguarda a conclusão dos laudos periciais.

A Polícia Civil ressaltou que a oitiva integra procedimento regular de apuração, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do atendimento médico prestado. Ainda conforme as autoridades, até o momento, não há atribuição de responsabilidade criminal, sendo as informações baseadas nos relatos colhidos e nos elementos técnicos disponíveis.

Polícia apreendeu o atestado de óbito, no qual a causa da morte do idoso foi registrada como “insuficiência respiratória” — Foto: Cedida

Polícia apreendeu o atestado de óbito, no qual a causa da morte do idoso foi registrada como “insuficiência respiratória” — Foto: Cedida

Médica pediu licença

Conforme o depoimento à polícia, a médica contou que o paciente chegou ao hospital por volta das 18h, em uma ambulância municipal de Emilianópolis, em estado grave. Segundo ela, o homem estava inconsciente, em estado grave e apresentando sinais de insuficiência respiratória (falta de ar aguda).

A profissional afirmou à polícia que, diante da situação, os primeiros protocolos de emergência foram iniciados imediatamente.

Diante da piora do quadro, a equipe realizou manobras avançadas de suporte à vida, como tentativas de intubação orotraqueal (introdução de um tubo na traqueia para garantir a respiração) e ressuscitação cardiopulmonar (massagem cardíaca).

À Polícia Civil, a médica explicou que houve dificuldades técnicas relacionadas ao quadro clínico do paciente, o que impediu o sucesso das três tentativas de intubação.